quarta-feira, 13 de junho de 2007

LITURGIA METODISTA

Pastoral do Colégio Episcopal sobre o Culto na Igreja Metodista

O Colégio Episcopal publicou os "Rituais da Igreja Metodista.
Quando decidiu lançar a sua 2a edição, aprovou também a publicação de

uma Pastoral contendo dois importantes documentos:
- "O Culto na Igreja em Missão'', que reflete sobre o culto, sua ligação com
a missão e a ordem de culto metodista, e;
- “O Calendário Litúrgico", que é o calendário cristão como
assumido pelo povo chamado Metodista.
O QUE NOS MOVE PARA O CULTO,
O QUE NOS MOVE NO CULTO E
QUE QUE NOS MOVE NA MISSÃO
Falando sobre esse enfoque, o Colégio Episcopal afirma: “O culto é a fonte e o ápice da missão. Como Igreja, entramos no culto para adorar e
saímos para servir. Não há Igreja se não houver adoração e serviço. A
importância do culto na vida da Igreja é inquestionável ao nos darmos conta
de que passa por ele tudo de importante que, de uma forma ou de outra, o
povo de Deus faz.”
Afirma também: “O culto tem um caráter tão amplo quanto a própria vida da
comunidade de fé. Sua expressão está longe de ser simplista. No culto, a
Igreja adora a Deus, ora, lê, medita e ouve a pregação da Palavra, rende
graças pelos frutos do seu trabalho, celebra o nascimento, o crescimento e a
união dos seus filhos e filhas, participa da comunhão eucarística, intercede
pelos que sofrem, chora os seus mortos e também se prepara para a missão.
Assim, no culto, a igreja se expressa por meio de orações, afirmações de
fé, antífonas, litanias e responsos, e também por hinos e música instrumental,
por meio do silêncio e da contemplação, e, ainda, por meio de atos e
gestos simbólicos e sacramentais. Enfim, as maneiras e formas de
expressão são tão variadas quanto é diversa e rica a experiência de fé do povo
de Deus.”
LITURGIA E DA VIDA
Os Bispos afirmam que “é fundamental que todos os membros da
Igreja Metodista sejam conscientizados do significado, do conteúdo e das implicações para a missão, que envolvem o culto.”
E destacam, entre outras:
1 - Primeiramente, deve-se ter claro que o centro do culto é Deus. É
Ele quem dá o primeiro passo e toma a iniciativa de vir ao nosso
encontro. O culto é uma atitude e urna atividade constantes do
povo de Deus, que, em comunhão e resposta à iniciativa divina,
presta seu serviço de adoração para a Sua honra e glória (At 2:42-47;
26:7). O culto cristão não é um ato programado para satisfazer
necessidades de caráter individualista, homenagear qualquer pessoa
ou fortalecer qualquer organização terrestre, nem tampouco para
cumprir ordens eclesiásticas, mas sim para glorificar e render
graças a Deus na unidade da fé e em espírito e verdade.
2 - Uma segunda compreensão fundamental é que essa comunhão com
Deus e com os fiéis, celebrada no culto, prepara a Igreja para a missão.
O culto tem uma dimensão horizontal e outra vertical. A dimensão
vertical é contemplada pelos atos de piedade realizados pelos filhos e
filhas de Deus por meio das orações, das ações de graças, dos louvores,
das meditações, da leitura das Escrituras, etc. A dimensão horizontal é
contemplada pelas obras de misericórdia realizadas pela igreja quando ela se
abre para a missão e o serviço ao povo, por meio do socorro prestado aos
que sofrem as dores do corpo, da alma e do espírito. O culto é, a um só tempo,
um chamado e um envio: um chamado à comunhão com Deus e com o Seu
povo e um envio para o serviço, especialmente aos mais necessitados.
Portanto, o culto é um encontro um diálogo entre Deus e o Seu povo, dos fiéis
entre si e da Igreja com o mundo.
3 - Uma terceira compreensão importante é que o culto se desenvolve por meio
da liturgia preparada para tal. A Bíblia oferece várias orientações práticas
sobre como deve ser o culto. Essas orientações podem ser sintetizadas na
palavra do apóstolo que diz: "Tudo seja feito com decência e ordem". A essa
ordem, à qual o texto bíblico se refere, dá-se o nome de liturgia. Liturgia é a
palavra bíblica que aparece nos originais gregos (inclusive na Septuaginta,
que é a versão grega do Antigo Testamento) para designar o culto público
prestado a Deus pelo Seu povo. (...) O Novo Testamento e, mais tarde, a
Igreja Cristã em geral passaram a empregar esse termo “liturgia” para
designar a ordem do culto público, especificamente a celebração
eucarística. Portanto, a palavra liturgia não tem nada a ver com o sentido
pejorativo que lhe tem sido atribuído de forma indevida.

4 Como decorrência da necessidade de ordem, deve-se ter clara a compreensão
das partes essenciais do culto cristão, sem as quais este se descaracteriza e
deixa de ser culto, e deixa de ser cristão. A estrutura fundamental do culto
cristão é trinitária:

a) num primeiro momento, a igreja se apresenta na presença de Deus, o
Pai, para adorá-lo.
b) A santidade de Deus é tamanha que revela as imperfeições humanas
de tal modo que todos se reconhecem pecadores e carentes da graça de Deus,
que é oferecida na pessoa do Filho: Jesus Cristo é o Cordeiro de Deus, que tira
o pecado do mundo. Jesus é, também, o Verbo que se fez carne, a Palavra de
Deus encarnada, que habita entre nós e dá a Sua vida (Seu corpo e Seu
sangue) em favor da humanidade. Assim, a igreja recebe o perdão, ouve a
proclamação do Evangelho e realiza o memorial anunciando a morte de Jesus
até que Ele venha.
c) Finalmente, pela ação e inspiração do Espírito Santo, a comunidade de
fiéis é capaz de compreender a Palavra de Deus, ouvir seu desafio missionário
e dispor-se para o serviço ao povo.
Diante disso, são afirmativas e ponterações da Pastoral do Culto de uma
Igreja em Missão:
- “De acordo com as Normas do Ritual da Igreja Metodista, o "culto público,
promovido pela Igreja, é uma parcela do serviço total do povo de Deus, no qual o
Senhor vem ao seu encontro, requer a sua adoração, mostra-lhe o seu pecado,
perdoa-lhe quando se arrepende, confia-lhe a sua mensagem e espera sua resposta
em fé, gratidão, amor e obediência" (Cânones 202, Parte geral, art. 7°)”.
- “A Igreja Metodista estabelece, portanto, a seguinte ordem para o culto:
Adoração, Confissão, Louvor, Edificação, Ação de Graças e Dedicação. O Pai é
glorificado na Adoração, que também nos chama ao arrependimento; a comunidade
confessa ao Pai os seus pecados e recebe, pelos méritos do Filho, o perdão; em
resposta c gratidão pelo perdão, louva a seu Salvador e dispõe-se para ouvir a Sua
Palavra; essa Palavra recorda os atos salvíficos de Deus em Cristo e culmina com o
sacramento eucarístico memorial; por fim, movida pelo Espírito Santo, a igreja se
dispõe no altar de Deus para cumprir a missão que recebeu de Cristo, bem como
apresenta suas orações em favor de todos os que sofrem.”
- “Portanto, liturgia é o serviço comunitário celebrado pelo povo de Deus por meio
da adoração à Trindade e da solidariedade aos da família da fé, bem como a toda a
comunidade humana. Dizendo de outra forma, a liturgia é um diálogo interativo
entre Deus e os seres humanos e destes entre si, no contexto celebrativo cia fé,
na forma de um serviço comunal comunitário e comunicacional - porque é
prestado por todos e para todos."
- “O verdadeiro culto, portanto, é aquele que se evidencia no serviço a Deus, no
exercício dos diversos dons e ministérios, no compromisso com a vida e com
a dignidade humana, na luta pela paz e pelos mais altos valores da vida, na
solidariedade, na vivência do Evangelho e dos valores do Reino de Deus. Em
outras palavras, o culto constituído do verdadeiro sentido é aquele que
motiva e envia os membros da igreja para o cumprimento da missão.”
- “É necessário que nossa vida seja um culto a Deus para que o nosso
culto a Deus tenha vida. O culto na igreja missionária deve levar em conta
os vários aspectos da liturgia e se desenvolver de forma organizada,
motivadora e inspiradora da missão. Ao participar do culto, o membro da
igreja deve se sentir fortalecido, alimentado e preparado para servir a Deus em
todos os momentos da vida. A liturgia deve possibilitar que todas as pessoas da
comunidade participem de todos os momentos celebrativos.”
O PASTOR, A PASTORA E O CULTO
Falando sobre o pastor(a) e o culto, os Bispos afirmam na Pastoral:
“Seguindo as premissas bíblicas, podemos dizer que o ápice do pastoreio se
dá na condução da liturgia e no uso do púlpito, pois é pela pregação da
Palavra de Deus que o pastor e a pastora conduzem e orientam o
rebanho, o alimentam e o desafiam ao serviço cristão e ao
comprometimento com o Evangelho de Jesus Cristo.”
“A unidade –doutrinária, missionária, pastoral e eclesiológica – passa pelos
púlpitos das nossas igrejas. John Wesley procurava supervisionar os pregadores,
a fim de que não se infiltrassem doutrinas hostis ao Evangelho de Jesus Cristo e
ao movimento metodista. Nós devemos observar como têm sido realizados
nossos cultos e o que eles apontam em termos de serviço a Deus.”
O Colégio dos Bispos Metodistas deixa, então, as recomendações
pastorais que se seguem:
1 - “A recomendação aos discípulos na Igreja Primitiva era a seguinte:
"Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não; corrige, repreende e
exorta com toda a longanimidade e doutrina" (2Tm 4:2). No texto, encontramos
quatro sinais que orientam a proclamação da Palavra de Deus:
a) uma proclamação urgente -"instar" tem o sentido de estar sempre pronto
e disponível;
b) uma proclamação contextual - "corrige, repreende e exorta", pois a
Palavra de Deus é útil para o crescimento na vida cristã;
c) uma proclamação paciente –"com longanimidade", pois o pregador deve
ser paciente, uma vez que a responsabilidade pelos resultados é do Espírito
Santo;
d) uma proclamação inteligente – "com doutrina", pois a pregação deve ser
acompanhada do ensino. Nessa expressão está o registro histórico de que a
pregação ocupou, ao lado da Ceia, um lugar de destaque entre os primeiros
cristãos. Para William Barclay, a "pregação era a principal via de conversão na
Igreja Primitiva".”

2 - “ A pregação é o momento no qual o pastor e a pastora alimentam o rebanho
e orientam sobre a vida, sobre a fé, sobre o discipulado, sobre a esperança, sobre
o serviço cristão, sobre a família, etc. Por isso, devem dedicar tempo para a
oração, leitura, reflexão, preparo do sermão e da liturgia do culto. A Palavra
deve ser visitada assiduamente pelo pregador e pela pregadora. para seu melhor
reconhecimento e para ser mais bem-anunciada.”
3 - “O uso do púlpito é de responsabilidade do pastor e da pastora. Nenhuma
pessoa deve ocupar o púlpito da igreja sem o consent imento prévio do
pastor ou da pastora. É responsabilidade pastoral o que vai ser pregado c
anunciado a partir do púlpito, pois ele é o lugar reservado para a
proclamação da Palavra de Deus”.
4 - “Os temas bíblicos abordados devem seguir o calendário litúrgico, as
ênfases doutrinárias da Igreja e os temas estabelecidos por ela, além de atender às
necessidades pastorais das famílias e membros da igreja e da comunidade em
geral. As mensagens devem ser biblicamente fundamentadas. O púlpito é o lugar
eminente para a pregação evangélica, e não lugar de abstrações ou discussões
teóricas, excessivamente particularizadas e personalistas. A pregação é o
momento oportuno para a edificação dos membros da igreja, objetivando-se o
trabalho missionário como expressão do serviço a Deus.”
5 - “Compete ao pastor e à pastora orientar e preparar as pessoas que vão
participar na direção dos vários momentos dos cultos, inclusive na
condução dos cânticos, nos testemunhos, na comunicação de avisos, etc.,
para que esses momentos sejam inspiradores da fé e da dedicação a Deus.”
6 - “O envolvimento de pessoas presentes na congregação é fundamental para
que o culto seja a expressão do povo de Deus como um todo, e não
apenas dos dirigentes. Leituras bíblicas, orações e participações programadas
devem receber or ientação e preparação prévia, para que não haja
improvisações grosseiras nesses momentos de expressão da adoração e do
serviço para com Deus. Embora muito do que seja feito na liturgia tenha um
caráter espontâneo, não se deve pensar, como alguns o fazem erroneamente,
que o Espírito age unicamente nas improvisações. Ao contrário, o Espírito
tem poder mais que suficiente para atuar desde muito antes de o culto
começar, desde a sua preparação e até muito além da sua execução. Deus
mesmo planejou a nossa salvação antes mesmo da fundação do mundo.”
7 - “Os cultos devem levar em conta as circunstâncias e respeitar a cultura
e o contexto da comunidade nos quais são realizados. Da mesma forma como
Deus se encarnou em Cristo — e respeitou a língua, os costumes e as
práticas do lugar onde viveu os pastores e pastoras devem procurar
enraizar-se em suas paróquias, identificando-se com a sua gente,
contextualizando a Palavra e adaptando a liturgia para a edificação da igreja, o
serviço do povo e a glória de Deus.”
E antes de apresentar à Igreja Metodista o Calendário Litúrgico oficial da
Igreja Metodista, Os Bispos ainda dizem:
“Ao fazermos essas orientações pastorais, zelamos pelo nosso rebanho e
evitamos que confusões doutrinárias, teológicas, eclesiológicas e pastorais
sejam inseridas em nossas igrejas. Ao sermos criteriosos para com as
pessoas que convidaremos para pregar nas nossas igrejas, exercemos o
cuidado pastoral que permeia o ministério ordenado da Igreja. Diante de nós
temos a figura do Bom Pastor, que deu a Sua vida por nós, para que a
tivéssemos de forma plena e abundante. Que esta mensagem nos
impulsione a "dar" de nós mesmos, do nosso talento, dos nossos dons, da
nossa fé, da nossa esperança e da nossa confiança no poder de Deus e nos
valores do Evangelho ao nosso rebanho, para que cada unia das ovelhas
cresça fortalecida pelo nosso pastoreio.”
Eis agora o Calendário Litúrgico que a Igreja Metodista adota
oficialmente:

O CALENDÁRIO LITÚRGICO

O Calendário Litúrgico, ou Ano Litúrgico, não é uma idéia, mas uma pessoa:
Jesus Cristo e o Seu mistério realizado no tempo, que hoje a Igreja celebra
sacramentalmente como memória, presença e profecia (cf. Dicionário de
Liturgia. São Paulo: Paulinas, 1992, p. 58). O Ano Litúrgico se baseia, portanto,
na história da salvação, cujo centro irradiador é o mistério pascal e a união em
Cristo. Esse evento histórico é celebrado como memorial litúrgico, que
atualiza a mensagem da salvação e desafia a comunidade de fé na direção da
consumação do Reino de Deus.
OS 4 GRANDES CICLOS DO CALENDÁRIO CRISTÃO
Ao longo dos séculos, convencionou-se uma estrutura para o Ano Cristão que
se organiza em quatro grandes ciclos: Natal, Primeiro Tempo Comum, Páscoa e
um Segundo Tempo Comum.
Esses ciclos subdividem-se, por sua vez, em tempos específicos conforme
explicados a seguir:
1 - CICLO DO NATAL
O Ciclo do Natal corresponde a quatro tempos litúrgicos do calendário
cristão, a saber: Advento, Natal, Epifania e Batismo do Senhor. Este ciclo
tem início quatro domingos antes do Natal e se estende até o Batismo do
Senhor.
a) Advento
O Advento é o tempo que marca o início do calendário litúrgico cristão. Sua
origem é documentada a partir do século IV a.C. Semelhante à preparação da
Páscoa, expiação de Cristo, o Advento surge como preparação para o
nascimento de Jesus, o Natal. Advento, do latim adventus, significa "vinda",
"espera". Trata-se de urna celebração cujo foco é a expectativa da vinda do
Messias, o Cristo prometido. Nesse período, celebra-se a espera do
Messias, e pode ser dividido em duas partes: os dois primeiros domingos
enfatizam o Advento Escatológico; o terceiro e o quarto domingos, a Preparação
do Natal de Cristo. Dessa forma, o Advento tem a dimensão da expectativa da
segunda vinda de Cristo, bem como a expectativa da chegada do Messias que
concretiza o Reino, o "já" e o "ainda não", que significa viver à espera do
cumprimento das promessas e renovar a esperança no reino que virá.
A espiritualidade do Advento é marcada pela esperança e pelo aguardo do
Messias prometido; a fé na concretização da promessa; o amor que se
demonstra com a chegada do Messias e a paz por Ele anunciada e plenificada.
b) Natal
O segundo tempo litúrgico desse ciclo é o Natal. Esta celebração teve
sua origem em meados do século IV d.C., entretanto, sua aceitação como
festa cristã ocorreu no século VI d.C. O Natal surgiu com a finalidade de
afastar os fiéis da festa pagã do natale solis invictus ("deus sol invencível") e
passou a significar a chegada do Messias, o "sol da justiça" (cf. Ml 4.2), já
anunciado e aguardado no Advento. Natal, na acepção da palavra, significa
"nascimento", entretanto, para as/os cristãs/aos, a partir do século IV d.C., esse
significado é ainda mais profundo, pois, com o nascimento de Cristo,
celebra-se "o Verbo que se fez carne e habitou entre nós", o Deus
infinitamente rico se faz servo e habita entre os despossuídos da terra. É
esse Verbo que atrai para Si toda a criação, a fim de reintegrá-la ao projeto
salvífico de Deus.
A espiritualidade desse período enfatiza a humanidade de Cristo e a
salvação que nEle é absoluta.
c) Epifania
O terceiro tempo desse ciclo é a Epifania. que surgiu no Oriente como
lesta da manifestação cio Cristo encarnado. Somente a partir do século IN'
d.C. passou para o Ocidente, a fim de rememorar a visita dos reis magos ao
Messias que havia chegado.
Epifania, do grego (Thifimeia, significa "manifestação-, "aparição-. Antes
de tornar-se um termo utilizado pelos/as cristãos/ãs, significava a chegada
de um rei ou imperador. A partir de Cristo, tem a conotação de manifestação
do divino ao mundo, que no Antigo Testamento era expressa pelo termo
"teofania-. Esse tempo celebra a manifestação de Cristo aos seres
humanos. no momento em que os reis do Oriente seguiram a estrela em
busca daquele que viria a ser o Salvador por excelência. A Epifania é para o
Natal o que o Pentecostes é para a Páscoa, isto é, desenvolvimento e
permanência do ato de Cristo em favor da humanidade.
A espiritualidade desse período é caracterizada pela manifestação e
aparição de Cristo ao mundo. É o Cristo prometido que se torna uma
realidade na vida de mulheres e homens que procuram a paz, a justiça e o
amor.
d) Batismo do Senhor
O Batismo do Senhor é celebrado no primeiro domingo após a Epifania e
representa o início da missão de Jesus no mundo. Esse tempo é parte da
manifestação de Jesus aos seres humanos, por isso, trata-se de uma continuidade
da Epifania. Diferenciando-se pelo fato de que, na Epifania, é o ser humano
(representado pelos magos) que vai a Cristo, ao passo que, com o Batismo
do Senhor, é Deus (por meio de Jesus Cristo) que vem até o ser humano, a
fim de cumprir Sua missão. Por isso, a espiritualidade desse dia é marcada pela
missão iniciada por Jesus em prol dos menos favorecidos e injustiçados.
Com o Batismo do Senhor termina o Ciclo do Natal, dando-se início ao
Tempo Comum ou Tempo após Epifania.
Símbolos para o Advento
Sugerimos os seguintes símbolos para ambientação litúrgica no período
do Advento:
• Coroa do Advento: simbolizando a realeza de Cristo:
• Velas: simbolizando a chegada de Cristo corno luz do mundo;
• Luzes: símbolo da luz que ilumina as trevas, o próprio Cristo.
Símbolos para o Natal
• Anjos: simbolizam aqueles que anunciam o nascimento de Jesus;
• Crianças: simbolizando a festa da chegada do menino Jesus;
• Sinos: simbolizando o anúncio festivo da chegada do Messias;
• Presépio: simbolizando o local do nascimento de Cristo.
Símbolos para a Epifania e Batismo do Senhor
• Coroa dos Magos: simbolizando a procura pelo Cristo prometido;
• Estrela: simboliza a luz que aparece no horizonte para a chegada de um novo
tempo;
• Mãos: símbolo da força de Deus e Sua providência a toda a criação;
• Presentes: além do presente maior dado à humanidade, Cristo, simbolizam
também os presentes dados pelos magos.
Cores
No Advento, usa-se o roxo, o lilás e o rosa. O roxo significa contrição, daí
a matização das cores no sentido de ir clareando conforme a chegada do Natal. O rosa, geralmente, é usado no quarto domingo do Advento, que simboliza
a alegria.

Para o Natal, utilizam-se as cores: branco e/ou amarelo, símbolos da
divindade, da luz, da glória, da alegria e da vitória que o nascimento de Cristo
representa para a humanidade.
Na Epifania, usa-se o branco por oito dias e, após, o amarelo até o
domingo do Batismo do Senhor.
2 - TEMPO COMUM
Além dos dois ciclos festivos (Ciclo do Natal e Ciclo da Páscoa), o "Ano do
Senhor" também contempla 33 ou 34 semanas, situadas entre o Natal e a Páscoa.
Esse período recebeu a designação Tempo Comum por contrapor-se à
época festiva do Ano Cristão.
O fato de haver um Tempo Comum ressalta o significado de que Deus não
é Senhor somente das coisas extraordinárias. mas também o é do cotidiano.
Enfatiza a presença constante e amorosa do Pai na caminhada do povo rumo
à plenitude do Reino. A cada celebração, antecipamos a eterna liturgia do
céu, para o qual nos preparamos, dia a dia, tanto no tempo festivo como no
tempo comum.
Ao longo da história, várias iniciativas foram tomadas no sentido de oferecer
alternativas à liturgia do tempo não-festivo. Para exemplificar com algumas das
mais recentes e próximas, citamos a formalização, na década de 1930, nos
Estados Unidos, de uma proposta que sugeria a criação de um novo período, o
"Kingdomtide" (Ciclo ou Tempo do Reino). Essa proposta tem de positivo o fato
de enfatizar menos o aspecto eclesiástico-institucional e mais o teológicomissionário
do período. Entretanto, a postura mais amplamente adotada pelos
protestantes do mundo todo foi a de designar as duas partes do Tempo Comum
como sendo "Tempo após Epifania" e "Tempo após Pentecostes",
respectivamente. Na Igreja Metodista no Brasil, o rev. Messias Valverde propôs
uma organização do Ano Cristão dividido em Estações Litúrgicas, das quais
destacamos a Estação da Criação, com uma preocupação ecológica e
escatológica.
Para manter a sintonia com a maioria das Igrejas Cristãs ao redor do
mundo, optamos, neste anuário, pela adoção do Calendário Ecumênico
mundialmente utilizado tanto pela Igreja Metodista quanto pela maioria das
Igrejas Protestantes.
Não obstante, tomamos O cuidado de levarmos em conta as várias
contribuições das propostas às quais nos referimos. principalmente no que diz
respeito ao desafio ecológico próprio da proposta brasileira da Estação
da Criação –relacionado com a Justiça. a Paz e a Integridade da Criação – e
a ênfase na centralidade do Reino de Deus, da proposta norte-americana da
década de 1930.
TEMPO COMUM (1ª PARTE): Anúncio do Reino (Após Epifania)
A primeira parte do Tempo Comum tem início na segunda-feira após a
comemoração do Batismo do Senhor e vai até a véspera da Quarta-Feira
de Cinzas, quando começa a Quaresma (Ciclo da Páscoa).
Sua espiritualidade enfatiza o anúncio do Reino de Deus e visa à esperança
e à pregação da Palavra.

TEMPO COMUM (2a PARTE): Vivência do Reino (Após Pentecostes)
A segunda parte do Tempo Comum, que também é o período mais
longo, começa na segunda-feira após Pentecostes e dura até a véspera do
Primeiro Domingo do Advento, quando tem início o Ciclo do Natal.
Sua espiritualidade comemora o próprio ministério de Cristo em sua
plenitude, principalmente aos domingos, e enfatiza a vivência do Reino de
Deus e a compreensão de que os/as cristãos/as são o sinal desse Reino. Se na
primeira parte do Tempo Comum a ênfase é o anúncio, na segunda é a
concretização do Reino de Deus.
Símbolos para o Primeiro Tempo Comum
Sugerimos como material simbólico para a ambientação litúrgica do
primeiro período do Tempo Comum:
• A Bíblia (sinalizando o anúncio da Palavra do Reino);
• Os cinco pães e os dois peixes (sinalizando os milagres de Jesus e a
solidariedade cristã);
• Sementes / semeadura (sinalizando o anúncio do Reino).
Símbolos para o Segundo Tempo Comum
• Flores (sinalizando a Criação e a Nova Criação -consciência ecológica):
• Feixe de trigo (sinalizando a colheita e os frutos da terra):
• A pesca / rede com peixes (sinalizando a missão do Reino);
• A mesa (representando a fartura e a comunhão):
• O triângulo (representando o equilíbrio e a constância necessários ao
cotidiano cristão);
• A coroa (sinalizando a consumação plena do Reino de Deus).

Cor: verde
Em ambos os períodos do Tempo Comum, usa-se o verde como cor
litúrgica – sinalizando a Criação, a perseverança e a constância —, que
pode ser combinado com o dourado (cor da realeza), indicando a
combinação da Nova Criação com o Senhorio de Cristo (principalmente na
celebração do último Domingo do Tempo Comum, chamado de Domingo de
Cristo, Senhor do Universo).
3 - CICLO PASCAL
Origem
O ciclo pascal, composto por Quaresma, Semana Santa, Período da
Páscoa e, encerrando, Pentecostes, formou-se a partir de um processo de
reflexão e sistematização do cristianismo. que durou do primeiro ao quarto
século da era Cristã. A partir desse ciclo se constituiu todo o calendário litúrgico.

Nas comunidades primitivas. era comum a reunião no primeiro dia de
cada semana, quando se celebrava a memória de Jesus. A origem do culto cristão
está em torno dessa "Páscoa Semanal-, que ocorria no chamado "Dia do Senhor".
Em boa parte por influência do judaísmo cristão, desenvolveu-se uma
celebração anual da Páscoa corno um "grande dia do Senhor", cuja festa se
prolongava por 50 dias, sendo o último o dia de chegada do Espírito, o Pentecostes
Cristão: isso já no século II.
No século IV, desenvolveu-se a tradição de reviver e refletir de um modo mais
sistematizado os momentos da paixão. Isso deu origem às celebrações da Semana
Santa. Desde o século 111, as vésperas da Páscoa já eram dias de reflexão. Os
catecúmenos, que por dois anos eram preparados, eram, agora, acompanhados por toda
a comunidade. Inspirando-se nos 40 dias de preparo de Jesus para Seu ministério,
nasceu o período da quaresma. Assim, em torno da celebração da morte e
ressurreição de Jesus, desenvolveu-se todo o Ciclo Pascal do Calendário
Litúrgico Cristão, marcado pela penitência e confissão, mas também pela alegria e
exultação do crucificado e ressuscitado.
a) QUARESMA
Da Quarta-feira de cinzas ao Domingo de Ramos, este período enfatiza a
importância da contrição, do preparo e da conversão. Inicia-se no 40° dia antes da
Páscoa, sem contar os domingos. O início, na Quarta-feira de cinzas, retorna à
tradição bíblica do arrependimento com cinzas e vestes de saco (Jn 3.5-6). É um
momento oportuno para refletir sobre a confissão e o valor do perdão de Deus.
Sua espiritualidade enfatiza momentos de preparo na história bíblica geral e da
vida de Jesus:
• Quarenta dias de Jesus no deserto (Mt 4.2; Lc 4.1ss)
• Quarenta anos do povo no deserto (Ex 16.35)
• Elias em direção ao Horeb (1Rs 19.8)
Cores da Quaresma: roxo ou lilás
Essas cores enfatizam a preparação, a expectativa, a saudade, a contrição e o
arrependimento. Notemos que o roxo é a mistura de urna cor quente – o vermelho – e
uma cor fria – o azul. Isso é representativo da tensão própria de um período como esse,
quando é central a expectativa do " já- e do "ainda não" do Reino.
Símbolos da Quaresma
• Cinzas, referindo-se ao arrependimento;
• Ramos, lembrando a entrada triunfal;
• Coroa de espinhos e os cravos, rememorando o sofrimento de Cristo.

b) SEMANA SANTA
Inicia-se no domingo de Ramos. Celebração de Cristo como o Messias,
salvador dos pobres, o rei dos humildes. Reflete, passo a passo, os últimos
momentos até o ápice da paixão, passando pela instituição da Eucaristia, pelo lavapés,
pela traição, prisão e crucificação do Senhor. Este é o momento da vigília de
preparo para a ressurreição.
Sua espiritualidade chama-nos a atenção para os momentos finais de Jesus, até o
ápice de Sua paixão:
• A Santa Ceia (Mt 26.17-30);
• 0 Lava-pés (Jo 13.1-17);
• Jesus no Getsemani (Mt 26.36-46; Mc 14.26-31);
• O julgamento e a crucificação (Mt 27; Mc 15; Lc 23; Jo 19).
Símbolos da Semana Santa
A coroa e os cravos podem ser conservados; também temos o pelicano, que, na
falta de alimento para seus filhotes, fere-se para alimentá-los com seu próprio
sangue.
Cor: roxo
Particularmente na sexta-feira, usa-se preto. Essa cor denota a morte e o luto.
c) PÁSCOA
É a festa da ressurreição e da libertação. Um novo Êxodo ocorre e a humanidade
passa do cativeiro da morte para a vida. Sua solenidade pode iniciar-se já na Quintafeira
(instituição da ceia). Contudo. a celebração da ressurreição começa com uma
vigília na noite de sábado, encontrando sua plenitude no romper da aurora, quando
Cristo é lembrado como o Sol da justiça, que traz a luz da nova vida na ressurreição.
A espiritualidade norteados aponta para a ressurreição nos mais variados
relatos das comunidades do século 1 d.C.
• A ressurreição (Mt 28.1-20; Mc 16.1-8; Lc 24.1-12; Jo 20.1-18; At 1.14);
• Cânticos Pascais (SI 113 ao 118 e Ex 12).
Símbolos da Páscoa
Cruz vazia, túmulo vazio, borboleta (sinal de transformação).
Cores da `[ascoa: branco ou amarelo-ouro
Simbolizam a luz. a glória, a alegria, a vitória e a divindade.
d) PENTECOSTES
Entre os hebreus, era comum a celebração da chamada "festa das semanas";
isso porque ela se dava sete semanas após a Páscoa. Nela, o povo dava graças
ao Senhor pela colheita. Mais tarde, adquiriu mais uma dimensão celebrativa, a da
proclamação da Lei (instrução) no Sinai, 50 dias após a libertação do Egito.
Na era cristã, o Pentecostes tornou-se o último dia do ciclo
pascal, quando se celebra a chegada do Espírito Santo como Aquele
que atualiza a presença do ressuscitado entre nós, dando força
para que as comunidades sejam testemunhas de Jesus na história.
A espiritualidade que nos orienta nesse período fala da
presença consoladora do Espírito, que semeia nos corações a
esperança do Reino de Deus e nos impulsiona para a missão.
Textos Bíblicos que devem nos chamar atenção:
• Festa das semanas (Êx 34.22; Lv 23.15);
• Jesus promete o Consolador (Jo 16.7);
• Jesus ressuscitado sopra Seu Espírito (Jo 20.22);
• A chegada do Espírito Santo no dia de Pentecostes (At 2).
Símbolos do Pentecostes
Pomba, fogo, vento, água (sinais da presença do Espírito Santo).
Cor do Pentecostes: vermelho
Essa cor simboliza o fogo e o sangue dos mártires, é a cor das celebrações do
Espírito Santo e da Igreja: Pentecostes.
INDICAÇÕES DE LEITURAS
ANUÁRIO LITÚRGICO 2006. São Bernardo do Campo: Editeo, 2006.
LIMA, Marcos Rodrigues. O Ministério de Música na Igreja Local. Belo Horizonte:
Instituto Teológico João Ramos Jr., 2005.
MOSAICO APOIO PASTORAL: Culto hoje, v. 12, n. 31, junho-agosto 2004. São
Bernardo do Campo: Editeo, 2004.
WHITE, James F. Introdução ao culto cristão. São Leopoldo: Sinodal, 1997.
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