O Domingo
de Ramos segundo O Diário de Egéria
Egéria viveu no século IV. Sua peregrinação aos
Lugares Santos ocorreu aproximadamente entre 381 e 384 d.C. Relata a procissão em Jerusalém.
31.1.
Na hora sétima, todo o povo sobe ao Monte das Oliveiras, isto é, ao Eleona, à
igreja; o bispo se senta, entoam-se hinos e antífonas apropriados ao dia e
local, igualmente também se fazem leituras.
E
quando começa a se fazer a hora nona, sobe-se com hinos ao Imbomon (lugar da
Ascensão), isto é, àquele lugar do qual subiu o Senhor aos céus e aí tomou
assento; pois, sempre que o bispo está presente, todo o povo é ordenado a
sentar, e apenas os diáconos ficam sempre em pé.
São
também entoados aí hinos e antífonas apropriados ao lugar e ao dia; igualmente
também se fazem leituras intercaladas e orações.
31.2.
E quando já começa a décima primeira hora, é lido aquele passo do Evangelho
onde as crianças com ramos e palmas correram ao encontro do Senhor, dizendo:
“Bendito aquele que vem em nome do Senhor” (Mt 21,8-9; Sl 117,26).
E
imediatamente levantam-se o bispo e todo o povo; avançando a partir daí, do
cume do Monte das Oliveiras, se vai totalmente a pé. Pois todo o povo vai à
frente do bispo, com hinos e antífonas, respondendo sempre: “Bendito aquele que
vem em nome do Senhor”.
31.3.
E todos aqueles que são crianças nesses lugares, até mesmo as que não podem
caminhar a pé, porque são jovens, os seus pais as têm no colo, todas tendo
ramos, umas de palmeiras e outras de oliveiras; assim o bispo é conduzido do
mesmo modo pelo qual então o Senhor foi conduzido (Mt 21,8).
31.4.
E desde o cume do monte até a cidade e daí à Anástase (Lugar da Ressurreição),
através de toda a cidade, todos fazem o trajeto todo a pé, mas também senhoras
distintas ou senhores, se houver, assim acompanham o bispo, respondendo, e
assim muito lentamente, para que o povo não se canse; na verdade, já se chega
tarde à Anástase.
Logo
que se chega, ainda que seja tarde, se faz, contudo, o lucernário (Oração do
acendimento da luz), e se faz novamente uma oração na Cruz (no calvário) e o
povo se despede.
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