quarta-feira, 25 de março de 2026

O Domingo de Ramos segundo O Diário de Egéria

 



O Domingo de Ramos segundo O Diário de Egéria

Egéria viveu no século IV. Sua peregrinação aos Lugares Santos ocorreu aproximadamente entre 381 e 384 d.C. Relata a procissão em Jerusalém.

31.1. Na hora sétima, todo o povo sobe ao Monte das Oliveiras, isto é, ao Eleona, à igreja; o bispo se senta, entoam-se hinos e antífonas apropriados ao dia e local, igualmente também se fazem leituras.

E quando começa a se fazer a hora nona, sobe-se com hinos ao Imbomon (lugar da Ascensão), isto é, àquele lugar do qual subiu o Senhor aos céus e aí tomou assento; pois, sempre que o bispo está presente, todo o povo é ordenado a sentar, e apenas os diáconos ficam sempre em pé.

São também entoados aí hinos e antífonas apropriados ao lugar e ao dia; igualmente também se fazem leituras intercaladas e orações.

31.2. E quando já começa a décima primeira hora, é lido aquele passo do Evangelho onde as crianças com ramos e palmas correram ao encontro do Senhor, dizendo: “Bendito aquele que vem em nome do Senhor” (Mt 21,8-9; Sl 117,26).

E imediatamente levantam-se o bispo e todo o povo; avançando a partir daí, do cume do Monte das Oliveiras, se vai totalmente a pé. Pois todo o povo vai à frente do bispo, com hinos e antífonas, respondendo sempre: “Bendito aquele que vem em nome do Senhor”.

31.3. E todos aqueles que são crianças nesses lugares, até mesmo as que não podem caminhar a pé, porque são jovens, os seus pais as têm no colo, todas tendo ramos, umas de palmeiras e outras de oliveiras; assim o bispo é conduzido do mesmo modo pelo qual então o Senhor foi conduzido (Mt 21,8).

31.4. E desde o cume do monte até a cidade e daí à Anástase (Lugar da Ressurreição), através de toda a cidade, todos fazem o trajeto todo a pé, mas também senhoras distintas ou senhores, se houver, assim acompanham o bispo, respondendo, e assim muito lentamente, para que o povo não se canse; na verdade, já se chega tarde à Anástase.

Logo que se chega, ainda que seja tarde, se faz, contudo, o lucernário (Oração do acendimento da luz), e se faz novamente uma oração na Cruz (no calvário) e o povo se despede.

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