segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025
Música para Quaresma
sexta-feira, 22 de março de 2024
Significado de cada dia da Celebração da Semana Santa
Significado de cada dia
da
Celebração
da Semana Santa
Domingo de Ramos
O
Domingo de Ramos, que marca o início da Semana Santa, é uma data de caráter
festivo. Nele se celebra a entrada de Jesus Cristo em Jerusalém, ocasião
em que foi recebido com muito entusiasmo pelo povo, que o aclamou como Senhor e
Salvador agitando ramos de palmeira e gritando “Hosana ao filho de Davi!”.
Segunda-Feira Santa
Após
dormir em Betânia, Jesus e seus discípulos voltaram à cidade de Jerusalém.
Nesse dia, Jesus expulsou os mascates e os compradores que faziam negócios
dentro do Templo de Jerusalém. Essa passagem ficou conhecida como limpeza
do Templo. Em Mateus 21:12-22, Jesus diz: Está escrito: A minha casa será
chamada casa de oração. Mas vós a tendes convertido em covil de ladrões. Nesse
mesmo dia, Jesus curou coxos e cegos dentro do templo.
A
Segunda-Feira Santa precede os momentos mais importantes da Semana e é
caracterizado como uma data de preparação para a Paixão.
Terça-Feira Santa
Segundo a Bíblia, na terça-feira Jesus retornou a Jerusalém e foi confrontado pelas autoridades religiosas do templo, irritadas com o fato de Jesus se colocar como uma autoridade espiritual. As conspirações contra Jesus eram cada vez maiores, e houve até uma tentativa de emboscada para prendê-lo. No final do dia, Jesus foi com seus discípulos ao Monte das Oliveiras, onde profetizou sobre o Juízo Final, o fim dos tempos e o seu regresso (Parusia). Em Mateus 24:36, Jesus diz: Contudo, ninguém sabe a data e a hora em que o fim virá, nem mesmo os anjos, nem sequer o Filho de Deus. Só o Pai o sabe.
Quarta-Feira Santa
Não
há na Bíblia informações sobre o que fez Jesus nesse dia. Pode ser que tenha
permanecido em Betânia, próximo a seus amigos Lázaro, Maria e Marta. Lembremos
que um dos milagres mais conhecidos de Jesus é a ressurreição de Lázaro,
acontecida uns dias atrás.
Quinta-Feira
é um dia muito importante na Semana Santa. Nesse dia, ocorreu a Última
Ceia, em que Jesus e seus apóstolos comemoravam a Páscoa judaica. A
quinta-feira marca o início do Tríduo Pascal, o momento mais importante da
Semana Santa. É também nessa data que se encerra a Quaresma.
Um
dos ritos mais tradicionais praticados na Quinta-Feira Santa é o Lava-Pés,
que faz referência a uma passagem bíblica que diz que Jesus lavou os pés de
seus discípulos após o pôr-do-sol da quinta-feira. Esse gesto simboliza
solidariedade e humildade. Com ele, Jesus pôs-se a serviço do outro, a fim de
redimir ou lavar os pecados.
Sexta-Feira Santa
Essa
data é também chamada de Sexta-Feira da Paixão, já que nesse dia Jesus foi
julgado, condenado e morto. Paixão vem da palavra latina passio,
que significa sofrimento.
Na
Sexta-Feira Santa se recordam os momentos mais difíceis dos últimos dias de
Cristo, dos quais fazem parte o caminho para o Calvário (Via Sacra) e a
crucificação.
É o gesto
de amor incondicional de Jesus, que entregou sua vida e nos seus ombros
carregou todos os pecados da humanidade.
Sábado Santo
Entre
o pôr-do-sol da sexta-feira e o pôr-do-sol do sábado, não ocorrem celebrações
nem comunhão. O Sábado Santo, também chamado de Sábado de Aleluia, é o dia em
que Jesus Cristo jaz em seu túmulo. Por isso, o sábado é dedicado à oração
e à meditação, à espera da ressurreição.
Só
sábado à noite é que ocorre a Vigília Pascal, momento em que os cristãos
celebram a ressurreição de Jesus Cristo. Em Mateus 28:1-10, lê-se que no fim do
sábado o anjo do Senhor que o corpo de Jesus não estava mais no sepulcro porque
havia ressuscitado, tal como ele mesmo havia profetizado.
Na
verdade, a Vigília Pascal, embora aconteça na noite de sábado, deve ser
considerada uma celebração do Domingo de Páscoa, já que para os judeus um dia
acaba ao anoitecer.
Domingo de Páscoa
O Domingo da Ressurreição é um dia de alegria para os cristãos. Foi nesse dia que, segundo a Bíblia, Jesus ressuscitou e fez ao menos cinco aparições, uma delas para Maria Madalena e outras para seus discípulos.
O
domingo é o dia em que os cristãos anunciam a verdade de que Cristo venceu a
morte. É a Páscoa. Páscoa é uma palavra de origem hebraica que significa
“passagem”. A Páscoa cristã comemora a passagem de Cristo do mundo
dos mortos para a vida. Assim, Cristo venceu a morte e adquiriu a vida
eterna a todos que creem nele.
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024
Liturgia da Palavra para os Domingos da Quaresma - Anos A,B e C
Liturgia da Palavra para os Domingos da Quaresma
|
Domingos |
Ano A |
Ano B |
Ano C |
|
1º Domingo Tentação |
Gn 2.7-9, 3.1-7 / Sl 51.1-17 / Rm 5.12-19 / Mateus
4.1-11. |
Gn 9:8-15; Sl 25:1-10; 1 Pe 3:18-22;
Mc 1:12-15 |
Dt 26.4-10 / Sl 91 / Rm 10.8-13 / Lc
4.1-13. |
|
2º Domingo Transfiguração |
Gn 12.1-4 / Sl 33 / II Tm 1.8-10
/Mateus 17.1-9 |
Gn 22.1-18; Sl 116; Rm 8.31-34; Mc
9.2-10 |
Gn 15,5-12.17-18 / Sl 27 / Fp 3.17-4.1 /
Lucas 9.28b-36 |
|
3º Domingo |
Êx 17.3-7 / Sl 95.1-11 / Rm 5.1-8 / João 4.5-29, 39-42 |
Êx 20.1-17; Sl 19.7-11 (Refrão Jo 6.68) / I Co
1.22-25 / Jo 2.13-25 |
Êx 3,1-8, 13-15 / Sl 103 / I Co 10.1-6,10-12 / Lc 13.1-9 |
|
4º Domingo (Laetare) |
I Sm 16.1-13 / Sl 23.1-6 / Ef 5.8-14 / João 9.1-41 |
II
Cr 36.14-16, 19-23; Sl 137.1-6; Ef 2:4-10; Jo 3:14-21 |
Js 5.9, 10-12./ Sl 34 / II Co 5.17-21/ Lc 15.1-3,11-32. |
|
5º Domingo |
Ez 37.12-14 / Sl 130 / Rm 8.8-11 / João 11.1-45 |
Jr 31.31-34; Sl 51.1-15; Hb 5.7-9;
Jo 12.20-33 |
Is 43.16-21 / Sl 126.1-6 / Fp 3.8-14
/ Jo 8.1-11. |
|
Ramos da Paixão |
Is 50.4-7 / Sl 22.8-9,17-24 / Fl 2.6-11 / Mateus
26.14 - 27.66 (procissão: Mateus 21.1-11) |
Is 50.4-7; Salmo 22; Fp 2.6-11; Mc 14.1-15.47
(procissão: Marcos 11.1-11) |
Is 50.4-7; Sl 22.1-24 / Fp 2.6-11 / Lc 22.14-23.56. (procissão:
Lucas 19.28-44). |
sexta-feira, 10 de março de 2023
Salmo da Capela do Mosteiro Terra Santa - Capela da Transfiguração do Senhor.
SALMOS 84
1Quão amáveis são os teus tabernáculos, Senhor dos Exércitos!
2A minha alma suspira e desfalece pelos átrios do Senhor; o meu coração e a minha carne exultam pelo Deus vivo!
3O pardal encontrou casa, e a andorinha, ninho para si, onde acolha os seus filhotes, perto dos teus altares, Senhor dos Exércitos, Rei meu e Deus meu!
4Bem-aventurados os que habitam em tua casa; louvam-te perpetuamente.
5Bem-aventurado é aquele cuja força está em ti, em cujo coração se encontram os caminhos aplanados!
6Quando passa pelo vale árido, faz dele um manancial; de bênçãos o cobre a primeira chuva.
7Vão indo de força em força; cada um deles aparece diante de Deus em Sião.
8 Senhor, Deus dos Exércitos, escuta a minha oração; ouve-me, ó Deus de Jacó!
9Olha, ó Deus, escudo nosso, e contempla o rosto do teu ungido.
10Pois um dia nos teus átrios vale mais que mil; prefiro estar à porta da casa do meu Deus a permanecer nas tendas da perversidade.
11Porque o Senhor Deus é sol e escudo; o Senhor dá graça e glória; não recusa nenhum bem aos que andam retamente.
12Ó Senhor dos Exércitos, feliz é aquele que em ti confia.
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023
Campanha da Quaresma 2023
Campanha da Quaresma 2023
A Quaresma
A Quaresma é a primeira campanha de Oração da Igreja
Primitiva.
É mencionada pela primeira vez no Concílio de Nicéia em 225
d.C.
Foi criada a partir de duas
práticas: O longo jejum judaico anterior à Páscoa e o período de preparação
para o batismo dos cristãos.
Desde o II século o
candidato ao batismo esperava três anos para ser batizado. O batismo ocorria duas
vezes ao ano, no dia da Páscoa e no dia da Epifania.
Na Sexta feira santa o
candidato ao Batismo ia à igreja e colocava as roupas dos neófitos. Ali ficava
em jejum até o Domingo da Ressurreição onde era batizado nu, em geral, por
derramamento (homens e mulheres em locais separados).
O número quarenta foi
determinado pela duração do jejum do Senhor Jesus no deserto. A quaresma
termina na véspera da Quinta-feira Santa e a contagem de 40 dias não contempla
os domingos. Ela nos prepara para o Tríduo Pascal, o centro da nossa
celebração.
Jejum,
Abstinência, Oração e Esmolas
Para
esta quaresma 2023 estamos propondo um caminho de Jejum e Abstinência, Oração e
Esmola.
a) Jejum:
Jejum todas as sextas-feiras até às 12 horas. Os enfermos podem fazer apenas 30
minutos de jejum (Mateus 6.16-18). Podem beber água. Só não podem ingerir
nenhum alimento.
b) Abstinência: carne e peixe (e seus derivados), açúcar (e seus derivados), frituras
e refrigerantes (e bebidas gasosas). (Caso haja necessidade, solicite ao seu
médico permissão para fazer estas abstinências).
c) Oração: Quatro vezes ao dia: manhã, ao meio dia, a tarde e a noite (Laudes,
média, vésperas e completas) (Mateus 6.5-15).
d) Esmola: Faça sigilosamente uma ação concreta em prol de alguém ou alguma
instituição de caridade (Mateus 6.1-4).
Propósito da
Quaresma:
Oração
por nossa vida pessoal, pela igreja onde congregamos e pela Igreja de Deus no
mundo, para que sejamos resposta de Deus para o mundo que sofre. Pra que aja um
grande avivamento em nossas vidas.
Duração:
Da
quarta-feira de cinzas: dia 22 de fevereiro de 2023 até o inicio da vigília
Pascal (ao por do sol do dia 08 de abril de 2023).
Tema da
Quaresma 2021:
“Rasgai
o vosso coração”!
Base Bíblica:
Joel 2.13-23
Material
utilizado para as devocionais:
Retiro da Quaresma e da
Semana Santa – Edson Cortasio Sardinha - Observação: Começa a leitura na
quarta-feira de cinzas.
Você que fará esta caminhada
de oração conosco, por favor, nos informe no privado do Whatsapp (22) 98851-1946.
Toda a quaresma precisa ser sigilosa e em oração.
Solene Oração pelo Início da Quaresma Baseada nos Escritos dos pais da Igreja
Introdução: [1]
E nós, meus
irmãos, nós que recebemos do Invencível Combatente as sagradas práticas da
Quaresma, saibamos repelir os desejos da carne e mortificar o corpo com jejuns,
a fim de que cresçam as virtudes na nossa alma. Jejum das funestas paixões e
prazeres, jejum de toda a injustiça, jejum do odioso espírito de rivalidade.
Renunciemos, meus irmãos, aos festins, mas renunciemos mais ainda aos nossos
vícios. Saibamos escolher a temperança. Abster-nos do vinho, a fim de que
saibamos resistir à embriaguez dos prazeres. De que nos servirá, com efeito,
jejuar durante quarenta dias se não respeitarmos a lei do jejum? De que nos
serve fugir aos banquetes, se ocuparmos em discórdias os nossos dias? De que
nos serve não comer o pão que nos cabe, se tirarmos a comida da boca do pobre?
O jejum para o cristão que escolhe as privações deve ser alimento espiritual. O
jejum para o cristão deve preparar a paz e não as lutas. De que te serve não
comer carne, se da tua boca se soltam injúrias piores que qualquer alimento? De
que te serve santificar o estômago com jejuns, se as mentiras te mancham a
boca? Em verdade te digo, meu irmão, que não tens o direito de entrar na Igreja
se continuas enredado e envolvido nas malhas mortais da usura voraz, que não
tens o direito de invocar o teu Senhor se as tuas orações vêm do teu coração
invejoso; que não tens o direito de bater no peito se nele se escondem os teus
maus desejos. A moeda que deres ao pobre só será justa, quando fores pobre
também. Eis, irmãos muito amados, a verdadeira fome religiosa, eis o alimento
das almas tementes a Deus. As almas que santificaram o jejum pela castidade,
que o tornaram alegre pela caridade, que o aformosearam pela paciência, que o
acalentaram
pela bondade, que lhe deram o seu justo preço pela
humildade. Meus irmãos, vivamos a Quaresma de Cristo com todas as nossas forças
e, pela prática daquelas virtudes, façamos que seja nossa, pelos dois gêmeos
jejuns do corpo e do espírito, a graça divina. Amém (Máximo de Turim (380-465) – As práticas Quaresmais).
Adoração:
Nós, os novos batizados, os filhos do batistério que
acabamos de receber a luz, damos-Te graças, Cristo Deus. Tu iluminaste-nos com
a luz do Teu rosto, Tu revestiste-nos com a veste que convém às Tuas núpcias
(Sl 4, 7; Mt 22, 11). Glória a Ti, glória a Ti, porque tal foi do Teu
agrado. Quem dirá, quem mostrará ao primeiro homem criado, Adão, a
beleza, o brilho, a dignidade dos seus filhos? Quem contará também à infeliz
Eva que os seus descendentes se tornaram reis, revestidos de uma veste de
glória, e que com grande glória glorificam Aquele que os glorificou, brilhantes
de corpo, de espírito e de veste? […] E quem os exaltou? Foi, evidentemente, a
sua Ressurreição. Glória a Ti, glória a Ti, porque tal foi do Teu agrado. […]
Tu és brilhante e radioso, Adão. […] Ao ver-te, o teu adversário definha e
exclama: Quem é este que vejo? Não sei. O pó foi renovado (Gn 2, 7), as cinzas
foram divinizadas. O pobre doente foi convidado, foi refrescado, entrou e
sentou-se à mesa, foi conduzido ao banquete e tem a audácia de comer e o
desplante de beber Aquele que o criou. E quem Lho deu? Foi, evidentemente, a
sua Ressurreição. Glória a Ti, glória a Ti, porque tal foi do Teu agrado.
Esqueceu as suas culpas antigas, não ostenta a menor cicatriz dos primeiros
ferimentos. Abandonou os seus longos anos de paralisia na piscina, como tinha
feito o paralítico, e deixou de trazer o leito aos ombros, mas traz às costas a
cruz Daquele que teve piedade dele […]. Outrora, o Amigos dos homens lavou
muitos homens nas águas, mas eles não brilharam assim; àqueles, porém, a
Ressurreição tornou-os luminosos. Glória a Ti, glória a Ti, porque tal foi do
Teu agrado. […]. Eis-te recriado, novo batizado, eis-te renovado; não curves as
costas ao peso dos pecados. Possuis a cruz como cajado, apóia-te nela. Leva-a à
tua oração, leva-a para a mesa, leva-a para o leito, leva-a para todo o lado
como título de glória. […] Grita aos demônios: Com a cruz na mão, ergo-me,
louvando a Ressurreição. Glória a Ti, glória a Ti, porque tal foi do Teu agrado
(Romano, o Melodista (490-556) – A Quaresma é o caminho da
renovação).
Confissão:
Meu Deus,
na Tua compaixão
derrama sobre mim o olhar do Teu amor
E recebe a minha ardente confissão.
Pequei
mais do que todos os homens,
pequei só contra Ti, Senhor;
faz-me participar da Tua misericórdia,
meu Salvador, porque me criaste. […]
Meu Redentor, manchei a Tua imagem e semelhança (Gn 1, 26), […]
desfiz em farrapos o vestuário de perfeição
que o próprio Criador fabricou para mim e estou nu;
em seu lugar quis usar uma farpela rasgada,
obra da serpente que me seduziu (Gn 3, 1-5). […]
Fiquei fascinado com a beleza
da árvore que traiu a minha inteligência:
agora estou nu e coberto de vergonha. […]
O pecado
me revestiu de túnicas de pele (Gn 3, 21),
agora que fui despojado
das vestes tecidas pelo próprio Deus. […]
E, como a prostituta, grito:
pequei contra Ti, só contra Ti.
Ó Salvador, acolhe as minhas lágrimas,
como aceitaste o perfume da pecadora (Lc 7, 36 ss.)
E, como o
publicano, grito:
tem piedade de mim, ó Salvador.
Perdoa-me, porque de toda a descendência de Adão
ninguém pecou como eu. […]
Prostrado como Davi,
estou coberto de lama;
Mas assim como ele se lavou nas próprias lágrimas,
lava-me Tu também, Senhor!
Ouve os
gemidos da minha alma
e os suspiros do meu coração;
acolhe as minhas lágrimas
e salva-me, meu Redentor.
Porque Tu
amas os homens
e queres que todos se salvem.
Faz-me voltar à Tua bondade
e nela me recebe,
porque estou arrependido (André de Creta – (650-740),
monge e bispo - Grande Cânon da Liturgia Bizantina
da Quaresma).
Louvor:
Naamã era sírio e estava leproso, sem que ninguém o pudesse
curar. Então, uma jovem prisioneira disse-lhe que havia em Israel um profeta
que podia curá-lo da lepra. […] Já é tempo de descobrires quem era aquela jovem
prisioneira. Era a figura da assembleia mais nova de entre as nações, isto é,
da Igreja do Senhor. Antes, quando não possuía ainda a liberdade da graça, fora
humilhada pelo cativeiro do pecado. Mas, a seu conselho, este povo que não era
ainda um povo escutou a palavra dos profetas, da qual duvidara durante muito
tempo. Em seguida, quando acreditou que devia segui-la, o povo foi purificado
de todo o contágio do pecado. Naamã duvidara antes de ser curado; mas tu já
foste curado e por isso não deves duvidar. Já antes te foi dito que não devias
acreditar apenas no que vês ao aproximares-te do batistério, para que digas: «É
este o «grande mistério que nem os olhos viram, nem os ouvidos ouviram, nem
jamais passou pelo pensamento do homem» (1Cor 2, 9)? Eu vejo as águas que via
todos os dias. Vão purificar-me estas águas a que tantas vezes desci sem nunca
ter sido purificado?» Deves reconhecer que a água não purifica sem o Espírito.
Por isso, leste que no batismo as três testemunhas são uma só: a água, o sangue
e o Espírito (1Jo 5, 7-8); porque, se prescindires de uma delas, já não há
sacramento do batismo. Que é a água sem a cruz de Cristo? É um elemento comum,
sem nenhuma eficácia sacramental. Mas também é verdade que sem a água não há
mistério da regeneração: «quem não renascer da água e do Espírito não entrará
no reino de Deus» (Jo 3, 5). Também o catecúmeno acredita na cruz do Senhor
Jesus, com a qual é assinalado; mas, se não for batizado em nome do Pai e do
Filho e do Espírito Santo, não pode receber o perdão dos pecados nem obter o
dom da graça espiritual. Por isso o sírio Naamã mergulhou sete vezes, segundo a
Lei; tu, porém, foste batizado em nome da Trindade. […] Proclamaste a tua fé no
Pai e no Filho e no Espírito Santo. […] Morreste para o mundo, ressuscitaste
para Deus e, de certo modo sepultado naquele elemento do mundo, morto para o
pecado, ressuscitaste para a vida eterna (Rm 6, 4). (Ambrósio de Milão
(340-397), bispo de Milão – A Quaresma é um caminho para o Batismo).
Oração
de Preparação para a Leitura Bíblica:
Kyrios
Senhor e
Mestre da minha vida,
não me abandones ao espírito de preguiça, de desencorajamento
de dominação e de vã tagarelice.
Concede-me
a graça de um espírito de castidade, de humildade,
de paciência e de caridade, a mim, Teu servo.
Sim, meu
Senhor e meu Rei, que eu veja as minhas faltas
e não condene o meu irmão.
Tu, que és bendito pelos séculos dos séculos. Amém.
Ó Deus,
tem piedade de mim, pecador.
Ó Deus, purifica-me que sou pecador.
Ó Deus, meu Criador, salva-me.
Perdoa-me os meus numerosos pecados!
Bendito
Aquele que vem, o nosso Rei»
(Efrém, o
Sírio – (306-373).
Edificação:
Leitura
Bíblica: Mateus 6.1-18
O dia de hoje, meus bem-amados, é da maior importância. É
um dia que nos solicita um grande desejo, uma pressa imensa, um alento vivo,
para nos conduzir ao encontro do Rei dos Céus. Paulo, o mensageiro da Boa Nova,
dizia-nos: «O Senhor está perto. Não vos inquieteis» (Fil 4, 5-6).
[…] Acendamos, pois, as lamparinas da fé; à semelhança das cinco virgens
sensatas (Mt 25, 1ss.), enchamo-las do óleo da misericórdia para com os pobres;
acolhamos a Cristo bem despertos, e cantemos-Lhe com as palmas da justiça na mão.
Beijemo-Lo, derramando sobre Ele o perfume de Maria (Jo 12, 3). Ouçamos o
cântico da ressurreição: que as nossas vozes se elevem, dignas da majestade
divina, e brademos com o povo, soltando esse grito que se escapa das bocas da
multidão: «Hosana nas alturas! Bendito seja Aquele que vem em nome do Senhor, o
Rei de Israel». É razoável chamar-Lhe «Aquele que vem», porque Ele vem sem
cessar, porque Ele nunca nos falta: «O Senhor está próximo de quantos O invocam
em verdade» (Sl 144, 18). «Bendito seja Aquele que vem em nome do Senhor». O
Rei manso e pacífico está à nossa porta. Aquele que tem o trono nos céus, acima
dos querubins, senta-Se, cá em baixo, sobre uma burrinha. Preparemos a casa da
nossa alma, limpemos as teias de aranha que são os mal-entendidos fraternos,
que não haja em nós a poeira da maledicência. Difundamos às mãos-cheias a água
do amor, e apaziguemos todas as feridas criadas pela animosidade; semeemos o
vestíbulo dos nossos lábios com as flores da piedade. E soltemos então, na
companhia do povo, esse grito que brota dos lábios da multidão: «Bendito seja
Aquele que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel». (Proclo de
Constantinopla (390-446),
bispo – A Quaresma prepara para o Dia de Ramos).
Dedicação:
Depois deste tempo consagrado à observância do jejum, a
alma chega, purificada e esgotada, ao batismo. Recobra então as forças
mergulhando nas águas do Espírito; tudo o que tinha sido queimado pelas chamas
das doenças renasce do orvalho da graça do céu. Abandonando a corrupção do
homem velho, o neófito adquire uma nova juventude […]. Através de um novo
nascimento, renasce outro homem, sendo embora o mesmo que tinha pecado. Por
meio de um jejum ininterrupto de quarenta dias e quarenta noites, Elias mereceu
pôr fim, graças à água que veio do céu, a uma seca longa e penosa na terra
inteira (1Rs 19, 8; 18, 41). Extinguiu a sede ardente do solo trazendo-lhe uma
chuva abundante. Estes fatos produziram-se para nos servir de exemplo, para
merecermos, após um jejum de quarenta dias, a chuva bendita do batismo, para
que a água que vem do céu regue toda a terra, desde há muito tempo árida, dos
nossos irmãos do mundo inteiro. O batismo, como uma rega de salvação, porá fim
à longa esterilidade do mundo pagão. É, com efeito, de seca e de aridez
espiritual que sofre todo aquele que não foi banhado pela graça do batismo.
Através de um jejum do mesmo número de dias e noites, o santo Moisés mereceu
falar com Deus, ficar, permanecer com Ele, receber das Suas mãos os preceitos
da Lei (Ex 24, 18). […] Também nós, irmãos muito queridos, jejuamos com fervor
durante todo este período, para que […] também para nós se abram os céus e se
fechem os infernos (Máximo de Turim (380-465), bispo
Sermão 28 – Importância do Jejum na Quaresma).
Bênção Final:
Aproximaste-te, viste a pia batismal e viste também o bispo
perto da pia. E sem dúvida surgiu na tua alma o mesmo pensamento que se
insinuou na de Naaman, o sírio. Pois, embora tenha sido purificado,
inicialmente ele duvidara. […] Temo que alguém tenha dito: «É apenas isto?» Sim,
realmente é apenas isto: ali encontra-se toda a inocência, toda a piedade, toda
a graça, toda a santidade. Viste o que conseguiste ver com os olhos do corpo
[…]; aquilo que não se vê é muito maior […], porque aquilo que não se vê é
eterno […]. Que haverá de mais surpreendente do que a travessia do Mar Vermelho
pelos israelitas, para não falarmos agora apenas do batismo? E, no entanto,
todos os que o atravessaram morreram no deserto. Pelo contrário, aquele que
atravessa a pia batismal, isto é, aquele que passa dos bens terrestres para os
do céu […], não morre, mas ressuscita. Naaman era leproso. […] Ao vê-lo chegar,
o profeta disse-lhe: «Vai, entra no Jordão, banha-te e ficarás curado.» Ele
pôs-se a refletir em si mesmo e disse para consigo: «É apenas isto? Vim da
Síria à Judeia e disseram-me: vai até ao Jordão, banha-te e ficarás curado.
Como se não houvesse rios melhores no meu país!» Os servos diziam-lhe: «Senhor,
por que não fazes o que diz o profeta? Fá-lo, experimenta.» Então ele foi até
ao Jordão, banhou-se e ficou curado. Que significa isto? Viste a água, mas nem
toda a água cura; mas a água que contém em si a graça de Cristo cura. Há uma
diferença entre o elemento e a santificação, entre o ato e a eficácia. O ato
realiza-se com água, mas a eficácia vem do Espírito Santo. A água não cura se o
Espírito Santo não tiver descido e consagrado aquela água. Leste que quando
nosso Senhor Jesus Cristo instituiu o rito do batismo, veio ter com João e este
disse-Lhe: «Eu é que tenho necessidade de ser batizado por Ti. E Tu vens até
mim?» (Mt 3,14). […] Cristo desceu; João, que batizava, estava a Seu lado; e
eis que, como uma pomba, o Espírito Santo desceu. […] Por que desceu Cristo
primeiro e em seguida o Espírito Santo? Por que razão? Para que o Senhor não
parecesse ter necessidade do sacramento da santificação: é Ele que santifica; e
é também o Espírito que santifica (Ambrósio de Milão (340-397), Bispo
de Milão – Quaresma para o Santo Batismo).
domingo, 10 de abril de 2022
Páscoa: Festa da Vida
O significado dos 50 dias da Páscoa para Santo
Agostinho
1. Certamente,
Agostinho de Hipona (354-430) celebrou a Páscoa ao longo de toda a sua vida.
Não deixou de lembrar a noite de 24 para 25 de abril do ano 387, na qual ele
recebeu o batismo e se revestiu de Cristo para ser uma nova criatura em Deus,
tornando realidade as palavras que ele havia lido no códice do Apóstolo Paulo
no jardim de Milão, obedecendo à voz que dizia: «Tolle, lege» (pegue e leia!),
porque lá tinha recebido o convite para «despojar-se das obras das trevas e
revestir-se com as armas da luz» (Rm 13.13).
2. A
teologia batismal e o convite a viver com fidelidade o chamado à santidade
recebido no batismo estarão sempre presentes em suas homilias e seus escritos.
3. Da
mesma forma o pensamento da celebração da Páscoa e o fato de celebrá-la todos
os anos; não porque Cristo necessite morrer muitas outras vezes, mas para que,
a cada ano, os fiéis façam memória do ocorrido, para que esqueçam a
centralidade do mistério da ressurreição de Cristo na vida dos cristãos.
4. Portanto,
o que aconteceu uma vez definitivamente, se repete todos os anos para avivar a
memória e a fé dos fiéis: «A repetição anual da solenidade é equivalente a uma
repetição do que Cristo Senhor sofreu por nós na sua morte única.
5. O
que ocorreu apenas uma vez na história para a renovação da nossa vida é
comemorada durante todo o ano para perpetuar a sua memória» (sermão 206,1).
6. Para
santo Agostinho a Páscoa é a festa da vida. O cristão é chamado para morrer
para sua vida de pecado e ressuscitar para uma nova vida, uma vida plena com
Cristo. Então, no dizer de Santo Agostinho em um dos seus sermões de Páscoa, é
necessário morrer para o homem velho e para o pecado, para viver em Cristo.
7. Somente
neste caminho, quando chegar a morte corporal, poderemos realmente viver com
Deus: «Creia, você que já é batizado: a velha vida já morreu, a morte foi
recebida na Cruz e sepultada no batismo. A vida antiga, na qual você
experimentou o mal, foi enterrada. Ressuscite para a (vida) nova! Viva bem!
Viva para viver! Viva de maneira que, quando você morrer, não morra» (s. 229 E,
3).
8. Por
outro lado, a Páscoa foi para Santo Agostinho um tempo em que se antecipa a
alegria da vida eterna com Deus, pois é o tempo de cantar Aleluia, ou seja,
«Louvado seja Deus». Precisamente, o louvor será a principal ocupação dos
bem-aventurados na abençoada vida eterna:
9. «Com
razão, meus irmãos, a Igreja mantém a antiga tradição de cantar o Aleluia
durante estes cinquenta dias. Aleluia e louvor a Deus são a mesma coisa. Com
ele nos é antecipado, simbolicamente, no meio de nossas fadigas, o que faremos
em nosso descanso. Com efeito, quando, após o trabalho do tempo presente,
chegarmos a ele, a nossa única ocupação será o louvor de Deus. Toda a nossa
atividade se reduzirá no Aleluia. O que significa Aleluia? “Louvai ao Senhor”»
(s. 252, 9).
10. O
tempo da Páscoa é símbolo da vida eterna com Deus, onde o ser humano poderá
desfrutar para sempre de Deus e louvá-lo.
11. É,
portanto, um tempo de esperança e de consolação, que antecipa, litúrgica e
misteriosamente, a alegria eterna do céu, onde a pessoa poderá amar, louvar,
contemplar a Deus e finalmente relaxar.
12. Isto
é o que Santo Agostinho ressalta em um dos seus sermões de Páscoa, antecipando,
de alguma forma, a célebre frase que conclui sua obra A Cidade de Deus:
13. «Façamos
destes dias um símbolo do dia sem fim. Façamos do lugar da mortalidade um
símbolo do tempo da imortalidade. Corramos para a casa eterna. Felizes são
aqueles que vivem em sua casa, Senhor; te louvarão pelos séculos eternos. Diz a
lei, a Escritura, a Verdade: precisamos chegar à casa de Deus que está nos
céus. Ali nós entoaremos louvores a Deus, não apenas cinquenta dias, mas, como
está escrito, pelos séculos dos séculos. Nós o veremos, o amaremos e o
louvaremos; não desaparecerá a visão, nem se esgotará o amor, nem se calará o
louvor. Tudo será eterno, nada terá fim» (s. 254, 8).
14. Para
Agostinho, o Aleluia torna-se um viático para caminhante e para o peregrino da
cidade de Deus. Poder cantar o Aleluia no tempo presente é um incentivo e
encorajamento para continuar percorrendo o caminho com alegria, apesar das
dificuldades e problemas, sabendo que somos aguardados pelo Reino eterno e a
pela vida eterna com Deus.
15. O
Aleluia é, pois, um canto de peregrinos, de viandantes que sabem que nesta
terra eles não têm morada perpétua e se destinam a Deus: «Também neste tempo de
nossa peregrinação cantemos Aleluia como viático para nosso conforto; o Aleluia
é agora, para nós, canção dos viajantes. Por um caminho cansativo, avançamos
para a pátria, um lugar de paz, onde, depostas todas nossas ocupações, teremos
não mais do que o Aleluia» (s. 255, 1).
16. De
fato os cinquenta dias do tempo da Páscoa são interpretados por Agostinho
simbolicamente, como a soma de quarenta, representando o trabalho e a fadiga da
vida contemporânea, à qual deve ser adicionado o dez do denário prometido aos
trabalhadores fieis e perseverantes que trabalham na vinha do Senhor.
17. Por
isso o tempo pascal para santo Agostinho tem um sentido profundamente
escatológico, como ele costuma repetir em muitos de seus sermões:
18. «Mas,
uma vez tenhamos vivido santamente o número quarenta, ou seja, uma vez que
vivemos santamente nesta dispensação temporária, caminhando em conformidade com
os preceitos de Deus, receberemos como salário o denário que corresponde aos
fiéis (…). Portanto, acrescente o salário do denário ao número quarenta
santamente vivido e surgirá o número cinquenta, que simboliza a futura Igreja,
onde Deus será louvado para sempre» (s. 252, 11).
19. E
dentro deste simbolismo pascal, se multiplica cinquenta por três, número da
Trindade e se adiciona três, obtendo-se, assim, cento cinquenta e três, o
número de peixes apanhados pelos Apóstolos após a ressurreição de Cristo na
pesca milagrosa:
20. «Mas,
como todos foram chamados à vida santa do número quarenta em nome da Trindade e
a receber o denário, multiplique o número cinquenta por três e se obterá cento
e cinquenta. “Acrescente-lhe o mistério da Trindade e terá cento e cinquenta e
três, o número de peixes que foi pego na direita” (s. 252, 11).
21. Finalmente,
a Páscoa é para santo Agostinho, entre outros elementos que poderíamos
destacar, um tempo de alegria, sabendo que a morte não é o fim, mas, depois da
morte vem a ressurreição e a vida. Por isto assinala santo Agostinho que os
cinquenta dias pascais constituem um momento de alegria e felicidade que deve
empapar toda a existência do cristão:
22. «Estes
dias que se seguem à paixão de nosso Senhor, e nos quais cantemos o Aleluia a
Deus, são para nós dias de festa e alegria» (s. 228, 1).
23. (fonte: http://www.agustinosrecoletos.com/2014/04/para-santo-agostinho-pascoa-e-a-festa-da-vida/?lang=pt-pt)


