sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Epifania do Senhor - 06 de janeiro

Resultado de imagem para Epifania
Epifania do Senhor


Rev. Edson Cortasio Sardinha



A palavra Epifania significa "Manifestação". É a festa da manifestação de Jesus como Deus ao mundo.
Frequentemente se refere a esta festa como a "Teofanía", tal como se diz nos livros litúrgicos da Igreja Ortodoxa, palavra que significa Manifestação de Deus.
Neste dia lembramos três atos epifânicos de Jesus Cristo como Deus: A Estrela que guia os Magos a Belém; o Espírito Santo e a Voz do Pai que aparecem em seu batismo e o primeiro Milagre em Caná da Galiléia.
A celebração da Epifania é o terceiro período litúrgico do Ciclo do Natal. Ocorre no dia 06 de janeiro ou no domingo mais próximo 9segundo ou terceiro domingo depois do Natal).

I. A origem da celebração da Epifania
Antes de ser celebrado o dia 25 do dezembro como o dia do Natal, os cristãos do fim do segundo século, já celebravam a Epifania, festa realizada no dia 6 de janeiro.
A estratégia era a cristianização do paganismo. Retirar do Império Romano o paganismo e introduzir celebrações que exaltassem a Cristo como Deus. Era uma estratégia missionária.
No Oriente, o dia 6 de janeiro estava ligado ao nascimento virginal de Aion/Dionísio e com diversas outras lendas de epifania nas quais os deuses se manifestavam aos seres humanos.  Plínio discorre a respeito dos modos como Dionísio revelava a sua presença naquele dia, transformando água em fontes vinho (Natural History).
Os cristãos, nessa época, perseguidos pelos romanos, tiveram a estratégia de celebrar, na mesma data, a Epifania de Jesus (Manifestação de Jesus). Para confrontar os poderes das trevas, elegeram essa data como especial no calendário da Igreja.
Nessa festa pregavam o nascimento virginal de Cristo, a visita dos magos a Jesus, seu batismo e seu milagre de transformar a água em vinho em Caná da Galiléia.
Nessa celebração, segundo Jerônimo que morou 24 anos em Belém, o Batismo de Jesus era o conteúdo principal.
Muitos estudiosos veem na Epifania uma cristianização da festa judaica dos Tabernáculos.
As duas celebrações (epifania e tabernáculos) incluíam a vigília durante a noite toda, a iluminação de círios e a procissão das luzes, as águas da vida, os ramos de palmeiras e alusões ao matrimônio.

II. A Oração do Dia da Epifania
            O Livro de Oração Comum, utilizado pelos protestante anglicanos e algumas igrejas evangélicas, tem a seguinte oração para este dia:
            "Ó Deus, que pela Estrela manifestaste teu unigênito Filho a todos os povos da terra; guia-nos à tua presença, os que hoje te conhecemos pela fé; a fim de que desfrutemos de tua glória face a face; mediante Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina contigo e com o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém".
           
            É uma oração que pede a direção de Deus para que vivamos debaixo da graça, pela fé.

III. As Celebrações da Epifania nas tradições cristãs
            Algumas igrejas protestantes celebram a Epifania do Senhor. As católicas tem uma missa própria com uma pequena alusão ao tema.
            Na religiosidade popular brasileira existe a Folia de Reis. É uma festa religiosa de origem portuguesa, que chegou ao Brasil no século XVIII. Em Portugal, em meados do século XVII, tinha a principal finalidade de divertir o povo, enquanto aqui no Brasil, passou a ter um caráter mais religioso do que de diversão.
            No período de 24 de dezembro, véspera de Natal, a 6 de janeiro, Dia de Reis, um grupo de cantadores e instrumentistas percorre a cidade entoando versos relativos à visita dos Reis Magos ao Menino Jesus. Passam de porta em porta em busca de oferendas.
            Contudo, é importante ressaltar que Epifania não é o Dia de Reis. O Evangelho de Mateus não chama os Magos de reis, nem diz que eram três. Apenas são chamados de "os magos". Por isso, pela Bíblia, não existem "os Três Reis Magos".
            A tradição que afirma que eram três Reis magos, deu também a eles os nomes de Melquior, Baltasar e Gaspar.
            Esses nomes aparecem no Evangelho Apócrifo Armeno da Infância do fim do século VI, (ampliação do Evangelho do Pseudo-Tomé do II século). A palavra Apócrifo significa livros ocultos, secretos. Geralmente são livros escritos pelas seitas cristãs do II ao VI séculos depois de Cristo.
            No capítulo 5,10, do Evangelho Apócrifo Armeno da Infância está escrito:
Um anjo do Senhor foi de pressa ao país dos persas para avisar aos reis magos e ordenar a eles de ir e adorar o menino que acabara de nascer. Estes, depois de ter caminhado durante nove meses, tendo por guia a estrela, chegaram à meta exatamente quando Maria tinha dado à luz. Precisa-se saber que, naquele tempo, o reino persiano dominava todos os reis do Oriente, por causa do seu poder e das suas vitórias. Os reis magos eram três irmãos: Melquior, que reinava sobre os persianos; Baltasar, que era rei dos indianos, e Gaspar, que dominava no país dos árabes.

IV. A Liturgia Ortodoxa da Epifania
            A Liturgia Ortodoxa da Epifania é rica em muitas tradições. É um rito longo e cheio de significados.
            É uma celebração da adoração a Trindade. No "Tropário (poema) da Festa" está escrito:
"Em teu batismo no Jordão, Senhor, manifestou-se a adoração da Trindade; pois a voz do Pai deu testemunha, chamando-te Filho bem-amado; e o Espírito, sob forma de pomba, confirmou a verdade desta palavra. Ó Cristo Deus que te manifestaste e iluminaste o mundo, Senhor, glória a Ti!"

            A Liturgia Ortodoxa celebra a Manifestação de Jesus ao Universo. No Kondakion - Hino litúrgico da Igreja Ortodoxa, está escrito: "Hoje, Senhor, te manifestaste ao Universo e a tua voz brilhou sobre nós, que, conhecendo-te, cantamos: Vieste, apareceste, ó Luz Inacessível!
            Os ofícios litúrgicos reproduzem os do Natal, apesar da celebração da Epifania ser mais antiga do que as celebrações do Natal.
            A característica principal da festa da Epifania na Igreja ortodoxa é a Grande Bênção das Águas, uma vez que a Epifania nasceu da liturgia da festa dos tabernáculos.
            No Hino da Grande Bênção das águas traz a seguinte estrofe:
  "A voz do Senhor faz-se ouvir sobre as águas, dizendo: Vinde, todos, receber o espírito de sabedoria, o espírito de inteligência, o espírito de temor de Deus, do Cristo que se manifestou! Hoje a natureza das águas se santifica o Jordão se divide e suas águas deixam de correr; porque nele se vê o Senhor sendo batizado. Ó Cristo Rei, como homem vieste ao rio para batizar-te. Tomaste a iniciativa para receber o batismo da mão do Precursor como escravo, por nossos pecados, ó amante da humanidade".

V. A Epifania na Igreja Metodista
            Na Pastoral      do Colégio Episcopal  sobre o Culto na Igreja Metodista, há um estudo sobre os períodos litúrgicos.
            Sobre a Epifania a Pastoral diz que "esse tempo celebra a manifestação de Cristo aos seres humanos. No momento em que os magos do Oriente seguiram a estrela em busca daquele que viria a ser o Salvador por excelência. A Epifania é para o Natal o que o Pentecostes é para a Páscoa, isto é, desenvolvimento e permanência do ato de Cristo em favor da humanidade. A espiritualidade desse período é caracterizada pela manifestação e aparição de Cristo ao mundo. É o Cristo prometido que se torna uma realidade na vida de mulheres e homens que procuram a paz, a justiça e o amor". 

VI. As Leituras da Epifania
            A primeira leitura é Is 60.1-6.
            Fala da Glória do Senhor que nasce sobre os homens. Os pais da Igreja entenderam este salmo como uma alusão profética sobre a Estrela de Belém e as visitas dos Magos a Jesus.     As nações e os reis vão ao encontro do Senhor por causa da luz de sua glória:  (3)   As nações se encaminham para a tua luz, e os reis, para o resplendor que te nasceu.
            Muitos virão de longe ao encontro do rei que nasceu (4)   Levanta em redor os olhos e vê; todos estes se ajuntam e vêm ter contigo; teus filhos chegam de longe, e tuas filhas são trazidas nos braços.
            Trarão ouro e incenso: (5) ...e as riquezas das nações virão a ter contigo. (6) Trarão ouro e incenso e publicarão os louvores do SENHOR.
            O Salmo cantado é o 72:
            Este Salmo fala da eternidade do Messias: (5)   Ele permanecerá enquanto existir o sol e enquanto durar a lua, através das gerações. Fala do seu domínio: (8) Domine ele de mar a mar e desde o rio até aos confins da terra.
            Reis virão lhe oferecer presentes: (10)   Paguem-lhe tributos os reis de Társis e das ilhas; os reis de Sabá e de Sebá lhe ofereçam presentes. (11)   E todos os reis se prostrem perante ele; todas as nações o sirvam. (15)    Viverá, e se lhe dará do ouro de Sabá; e continuamente se fará por ele oração, e o bendirão todos os dias.
            O Messias é o Senhor de misericórdia e retidão.
            A segunda leitura é Ef 3.2-6.
            Paulo fala da dispensação da Graça que foi inaugurada em Cristo. (2)
                        Jesus é o mistério de Deus que foi revelado a Paulo e a Igreja (3,4). No passado os homens não conseguiram entender este mistério de Deus, mas na dispensação da graça conhecemos a manifestação de Jesus aos gentios que hoje são (6) "co-herdeiros, membros do mesmo corpo e co-participantes da promessa em Cristo Jesus por meio do evangelho".

            O Evangelho da Epifania é Mt 2.1-12.
            Este Evangelho relata a vinda dos magos a Jesus. Saem do Oriente, vão a Jerusalém, caminham para Belém orientados pela estrela e adoram o menino que estava numa casa com sua mãe. Oferecem Ouro, Incenso e Mirra.
            É a adoração baseada no sacrifício de louvor. Os magos sacrificam suas vidas para oferecer a Jesus um louvor e adoração.

VII. A Estrela de Belém
            O cristão Tomás de Aquino (viveu de 1224 à 1274) escreveu um texto sobre esta estrela que guiou os Magos ("Suma Teológica III, q. 36, a.7):
            . Esta estrela seguiu um caminho de norte ao sul, o que não é comum ao geral das estrelas.
            . Ela aparecia não só de noite, mas também durante o dia.
            . Algumas vezes, ela aparecia e outras vezes se ocultava.
            . Não tinha um movimento contínuo: andava quando era preciso que os magos caminhassem, e se detinha quando eles deviam se deter, como a coluna de nuvens no deserto.
            . A estrela mostrou o parto da Virgem não só permanecendo no alto, mas também descendo, pois não podia indicar claramente a casa se não estivesse próxima da terra.            
            O que era a estrela então? Tomás de Aquino responde: A estrela poderia ser
            . O Espírito Santo, assim como Ele apareceu em forma de pomba sobre Nosso Senhor em Seu batismo, também apareceu aos magos em forma de estrela.
            . Um anjo, o mesmo que apareceu aos pastores, apareceu aos magos em forma de estrela.
            . Uma espécie de estrela criada à parte das outras, não no céu, mas na atmosfera próxima à terra, e que se movia segundo a vontade de Deus.

Conclusão:
            A Estrela, os milagres de Jesus, seu Batismo e seu ministério revelam sua epifania.
            É a manifestação do Deus que amou o mundo de tal maneira que enviou seu unigênito filho para nos Salvar.
            Epifania é o esforço de Deus para salvar o homem e a mulher mediante Jesus Cristo. É a manifestação do Cristo Salvador.
            Ouçamos Leão Magno (falecido em 461 d.C) em sua pregação sobre o Dia da Epifania:

            "Portanto, amados filhos, instruídos nos mistérios da graça divina, celebremos com alegria espiritual o dia das nossas primícias e do primeiro chamado dos povos pagãos à fé, dando graças a Deus misericordioso que, conforme diz o Apóstolo, nos tornou capazes de participar da luz que é a herança dos santos; ele nos libertou do poder das trevas e nos recebeu no reino de seu amado Filho. Pois, como anunciou Isaías, o povo que andava na escuridão viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu. E ainda referindo-se a eles, o mesmo profeta diz ao Senhor: Nações que não vos conheciam vos invocarão e povos que vos ignoravam acorrerão a vós". (Dos Sermões de São Leão Magno - Sermão III in Epiphania Domini).




quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Dia dos Santos Inocentes - 28 de dezembro

Dia dos Santos Inocentes
28 de dezembro
Rev. Edson Cortasio Sardinha











Tive a graça de Deus de ir quatro vezes a Belém, cidade onde nasceu o Salvador. Na parte alta da cidade tem um aglomerado de igrejas, sendo a mais antiga, a Basílica da Natividade, do século IV, construída a mando da Imperatriz Helena, mãe de Constantino. O grande pátio em frente à Basílica chama-se Pátio do Presépio. Ao lado da Basílica da Natividade está a Igreja Latina de Santa Catarina de Alexandre. Ao entrar na igreja, você verá uma estreita escada ao lado direito que leva a dois lugares preciosos: a gruta de São Jerônimo e a Gruta dos Santos Inocentes.
Sabemos que Jerônimo morou ali por mais de 26 anos. Neste lugar agradável ao lado da gruta da natividade, Jerônimo teve forças para traduzir a Bíblia do Hebraico, grego e aramaico para o Latim. Ali ele gestou a famosa Bíblia Vulgata Latina.
Na gruta ao lado, gruta dos Santos Inocentes foram encontrados muitos corpos de crianças. É uma catacumba que está preservada as gavetas onde foram depositados os corpos das crianças de Belém que foram mortos por Herodes.
Herodes tentou matar Jesus e ordena que todos os meninos menores de dois anos fossem mortos para assim tentar alcançar o Rei dos Judeus.
São os primeiros mártires cristãos, uma vez que morreram por causa de Cristo. Não foram testemunhas de Cristo, mas hoje são testemunhas de pessoas que inocentemente morrem nas mãos de homens e mulheres de ganância, ira e covardia.
Mateus relata que Herodes vendo-se iludido pelos magos, enfureceu-se grandemente e mandou matar todos os meninos de Belém e de todos os seus arredores, de dois anos para baixo, conforme o tempo do qual com precisão se informara dos magos. Então, se cumpriu o que fora dito por intermédio do profeta Jeremias: Ouviu-se um clamor em Ramá, pranto, choro e grande lamento; era Raquel chorando por seus filhos e inconsolável porque não mais existem (Mt 2.16-18).
Hoje, dia 28 de dezembro, lembramos a morte dos Santos Inocentes, considerados mártires pela Igreja Cristã e aproveitamos para chorar, como Raquel, a morte de tantas crianças que vivem em áreas de conflitos e em campos de refugiados.
Precisamos de Missionários para trabalhar com os Santos Inocentes espalhados pelo mundo. Você deseja ser usado por Deus nesta missão?


segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Oitava do Natal do Senhor
                          Um Retiro nas Oito Estações do Natal



Inicie com uma breve oração. Leia com calma a passagem bíblica. Imagine (mentalize)  o que você acabou de ler. Pergunte para você mesmo: O que o texto diz? O que o texto me disse? O que eu digo a Deus? Qual o meu compromisso para hoje? Anote as resposta em um caderno. Faça uma oração final. Termine com o Pai Nosso.

1º Dia do Natal – 25 de dezembro - Jesus Nasceu
Lucas 2
Naqueles dias, foi publicado um decreto de César Augusto, convocando toda a população do império para recensear-se. Este, o primeiro recenseamento, foi feito quando Quirino era governador da Síria. Todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade. José também subiu da Galiléia, da cidade de Nazaré, para a Judéia, à cidade de Davi, chamada Belém, por ser ele da casa e família de Davi, a fim de alistar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida. Estando eles ali, aconteceu completarem-se-lhe os dias, e ela deu à luz o seu filho primogênito, enfaixou-o e o deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria.

2º Dia do Natal – 26 de dezembro - Pastores de Belém
Lucas 2.
Havia, naquela mesma região, pastores que viviam nos campos e guardavam o seu rebanho durante as vigílias da noite. E um anjo do Senhor desceu aonde eles estavam, e a glória do Senhor brilhou ao redor deles; e ficaram tomados de grande temor. 10 O anjo, porém, lhes disse: Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: 11 é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor. 12 E isto vos servirá de sinal: encontrareis uma criança envolta em faixas e deitada em manjedoura. 13 E, subitamente, apareceu com o anjo uma multidão da milícia celestial, louvando a Deus e dizendo: 14 Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem. 15 E, ausentando-se deles os anjos para o céu, diziam os pastores uns aos outros: Vamos até Belém e vejamos os acontecimentos que o Senhor nos deu a conhecer. 16 Foram apressadamente e acharam Maria e José e a criança deitada na manjedoura. 17 E, vendo-o, divulgaram o que lhes tinha sido dito a respeito deste menino. 18 Todos os que ouviram se admiraram das coisas referidas pelos pastores. 19 Maria, porém, guardava todas estas palavras, meditando-as no coração.
20 Voltaram, então, os pastores glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes fora anunciado.

3º Dia do Natal – 27 de dezembro - Circuncisão de Jesus
Lucas 2
21 Completados oito dias para ser circuncidado o menino, deram-lhe o nome de JESUS, como lhe chamara o anjo, antes de ser concebido. 22 Passados os dias da purificação deles segundo a Lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para o apresentarem ao Senhor, 23 conforme o que está escrito na Lei do Senhor: Todo primogênito ao Senhor será consagrado; 24 e para oferecer um sacrifício, segundo o que está escrito na referida Lei: Um par de rolas ou dois pombinhos.

4º Dia do Natal – 28 de dezembro - Simeão encontra com Jesus
Lucas 2
25 Havia em Jerusalém um homem chamado Simeão; homem este justo e piedoso que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele. 26 Revelara-lhe o Espírito Santo que não passaria pela morte antes de ver o Cristo do Senhor. 27 Movido pelo Espírito, foi ao templo; e, quando os pais trouxeram o menino Jesus para fazerem com ele o que a Lei ordenava,  28 Simeão o tomou nos braços e louvou a Deus, dizendo:
29 Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra; 30 porque os meus olhos já viram a tua salvação, 31 a qual preparaste diante de todos os povos: 32 luz para revelação aos gentios, e para glória do teu povo de Israel. 33 E estavam o pai e a mãe do menino admirados do que dele se dizia. 34 Simeão os abençoou e disse a Maria, mãe do menino: Eis que este menino está destinado tanto para ruína como para levantamento de muitos em Israel e para ser alvo de contradição 35 (também uma espada traspassará a tua própria alma), para que se manifestem os pensamentos de muitos corações.

5º Dia do Natal – 29 de dezembro - Ana Encontra com Jesus.
Lucas 2
36 Havia uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser, avançada em dias, que vivera com seu marido sete anos desde que se casara 37 e que era viúva de oitenta e quatro anos. Esta não deixava o templo, mas adorava noite e dia em jejuns e orações. 38 E, chegando naquela hora, dava graças a Deus e falava a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém. 

6º Dia do Natal – 30 de dezembro - Os Magos encontram com Jesus
Mateus 2
Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, em dias do rei Herodes, eis que vieram uns magos do Oriente a Jerusalém. E perguntavam: Onde está o recém-nascido Rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos para adorá-lo. Tendo ouvido isso, alarmou-se o rei Herodes, e, com ele, toda a Jerusalém; então, convocando todos os principais sacerdotes e escribas do povo, indagava deles onde o Cristo deveria nascer. Em Belém da Judéia, responderam eles, porque assim está escrito por intermédio do profeta: E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as principais de Judá; porque de ti sairá o Guia que há de apascentar a meu povo, Israel. Com isto, Herodes, tendo chamado secretamente os magos, inquiriu deles com precisão quanto ao tempo em que a estrela aparecera. E, enviando-os a Belém, disse-lhes: Ide informar-vos cuidadosamente a respeito do menino; e, quando o tiverdes encontrado, avisai-me, para eu também ir adorá-lo. Depois de ouvirem o rei, partiram; e eis que a estrela que viram no Oriente os precedia, até que, chegando, parou sobre onde estava o menino. 10 E, vendo eles a estrela, alegraram-se com grande e intenso júbilo. 11 Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, o adoraram; e, abrindo os seus tesouros, entregaram-lhe suas ofertas: ouro, incenso e mirra. 12 Sendo por divina advertência prevenidos em sonho para não voltarem à presença de Herodes, regressaram por outro caminho a sua terra.

7º Dia do Natal – 31 de dezembro - Fuga para o Egito
Mateus 2
13 Tendo eles partido, eis que apareceu um anjo do Senhor a José, em sonho, e disse: Dispõe-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egito e permanece lá até que eu te avise; porque Herodes há de procurar o menino para o matar. 14 Dispondo-se ele, tomou de noite o menino e sua mãe e partiu para o Egito; 15 e lá ficou até à morte de Herodes, para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor, por intermédio do profeta: Do Egito chamei o meu Filho.

8º Dia do Natal – 01 de janeiro – Morte dos Inocentes
Mateus 2

16 Vendo-se iludido pelos magos, enfureceu-se Herodes grandemente e mandou matar todos os meninos de Belém e de todos os seus arredores, de dois anos para baixo, conforme o tempo do qual com precisão se informara dos magos. 17 Então, se cumpriu o que fora dito por intermédio do profeta Jeremias: 18 Ouviu-se um clamor em Ramá, pranto, [choro] e grande lamento; era Raquel chorando por seus filhos e inconsolável porque não mais existem. 19 Tendo Herodes morrido, eis que um anjo do Senhor apareceu em sonho a José, no Egito, e disse-lhe: 20 Dispõe-te, toma o menino e sua mãe e vai para a terra de Israel; porque já morreram os que atentavam contra a vida do menino. 21 Dispôs-se ele, tomou o menino e sua mãe e regressou para a terra de Israel. 22 Tendo, porém, ouvido que Arquelau reinava na Judéia em lugar de seu pai Herodes, temeu ir para lá; e, por divina advertência prevenido em sonho, retirou-se para as regiões da Galiléia. 23 E foi habitar numa cidade chamada Nazaré, para que se cumprisse o que fora dito por intermédio dos profetas: Ele será chamado Nazareno.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Natal do Senhor
O Mistério do Natal
Isaías 9.1-7 / Salmo 96 / Tito 2.11-14 / Lucas 2.1-14



Hoje é Natal. Celebramos o aniversário do Senhor Jesus. Ele é o verbo que encarnou entre nós. Nasceu com o propósito da Páscoa. Veio como ovelha para o matadouro. É o nosso Cordeiro que tira o pecado do mundo. Esta data nos faz celebrar o milagre da encarnação do Filho de Deus, o Emanuel; Deus conosco.
A palavra de Deus hoje nos levará a contemplar o mistério do Natal.

I. O Mistério do Nascimento do Cristo - Lucas 2.1-14
            O povo de Israel esperava a vinda do Cristo (Messias) que nasceria em Belém para salvar o mundo. O Natal fala da concretização dessa esperança.
Lucas 2.1-14 nos informa que um recenseamento obrigou José e Maria saírem de Nazaré e irem a Belém, pois ele era da família de Davi (1-5).
Os vv.6,7 dizem que “Estando eles ali, aconteceu completarem-se-lhe os dias, e ela deu à luz o seu filho primogênito, enfaixou-o e o deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria”.
            Lucas narra também a manifestação dos anjos aos pastores que estavam próximos de Belém e guardavam seu rebanho durante as vigílias da noite (8). O texto informa que um anjo do Senhor desce onde eles estavam (9) e disse (10,11): “Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor”. O sinal dado foi a manjedoura (12).
            Logo em seguida, apareceu com o anjo uma multidão da milícia celestial, louvando a Deus e dizendo: Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem (13,14).
            Esta é a mensagem de Natal: o Cristo que nasceu em Belém é o Salvador e Senhor. Ele não excluiu ninguém. Todos são chamados ao arrependimento e ao encontro com Deus.

II. O Mistério do Nascimento do Deus forte - Isaías 9.1-6
O profeta Isaías 9.1-6 fala da esperança para a região da Galiléia (1). O povo veria uma grande luz (2): “O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz”.
Haveria a multiplicação da alegria (3), a libertação (4) e a paz (5).
            Tudo irá acontecer por causa do Deus forte que nascerá como menino (6): “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”.
            Jesus é o Deus forte. Tem o governo em seus ombros. Nada acontece sem sua permissão. Jesus nasceu para reinar. Hoje reina em nosso coração e reinará triunfalmente no mundo em sua gloriosa vinda.
            Na simplicidade e fragilidade da manjedoura estava o Deus forte. Por isso, nosso encontro com Jesus tem o poder de mudar todas as coisas. O que será impossível para o menino de Belém?

III. O Mistério do Nascimento do Senhor - Salmo 96
O anjo diz aos pastores que o menino de Belém é o Cristo, o Salvador e Senhor.
Salmo 96 é lido como um texto messiânico que fala da vinda de Jesus.
Ele nos convida a cantar um novo cântico (1), a bendizer o seu nome e anunciar a sua salvação (2), sua glória e maravilhas (3).
O Senhor é digno (4), pois é o criador de todas as coisas (5). O v. 6 diz: “Glória e majestade estão diante dele, força e formosura, no seu santuário”.
            Assim como os magos do oriente (Mt 2.1-11), somos convidados a tributar glória e força ao Senhor (7); trazer oferendas (8) e adorar (9).
            Jesus reina (10) e traz tempo de alegria (11,12). Esta alegria está na esperança da volta do Senhor que (13) “...vem, vem julgar a terra; julgará o mundo com justiça e os povos, consoante a sua fidelidade”.

IV. O Mistério do Nascimento Redentor - Tito 2.11-14
Paulo escrevendo ao pastor Tito (Tt 2.11-14) fala da redenção trazida pelo menino de Belém. Ele diz que a “graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens” (11).
Esta graça nos educou para a santidade (renegadas a impiedade e as paixões mundanas) com o propósito de vivermos nos desafios do presente século de forma “sensata, justa e piedosamente” (12). Ou seja, o desejo de Deus é que vivamos como regenerados.
A graça nos desafia a esperar a volta do Senhor (a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus – 13) e aponta para a missão do Filho de Deus que nasceu para nos remir na cruz do calvário e nos preparar como (14) “um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras”.

Conclusão:
            Adoramos ao Senhor Jesus que nasceu em Belém para a nossa Salvação. Este é o Mistério do Natal. Celebramos a luz de Deus que veio para nos salvar. Feliz Natal é aceitar Jesus como Senhor e Salvador e o deixar controlar toda nossa vida.


Oração
Deus Onipotente, que nos deste teu unigênito Filho para que tomasse sobre si a nossa natureza, e nascesse neste tempo de uma Virgem; concede que nós, renascidos e feitos teus filhos por adoção e graça, sejamos de dia em dia renovados por teu Santo Espírito; mediante nosso Senhor Jesus Cristo, que vive e reina contigo e com o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.


Evangelho do Natal do Senhor Jesus
Lucas 2.1-14
Rev. Edson Cortasio Sardinha


           


O Natal é um retorno a Belém. No Natal ouvimos as vozes dos anjos falando das boas novas de grande alegria que será para todos os povos. No Natal seguimos a Estrela até Belém e voltamos a ver Jesus em sua simplicidade nascendo de Maria e sendo colocado em uma manjedoura. Natal é a concretização da esperança dos profetas. É o início da nossa redenção.
            O Evangelho de Lucas nos leva a Belém e permite que meditemos na obra salvadora do Senhor Jesus.

I. Indo a Belém
            Não estava nos projetos de José e Maria deixar Nazaré e ir a Belém. Foi um compromisso imposto pelo governo num momento muito difícil, pois Maria estava grávida de Jesus.  Foi uma decisão de César Augusto (1) "convocando toda a população do império para recensear-se". O problema é que (3) "todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade". Por isso José (4) "subiu da Galiléia, da cidade de Nazaré, para a Judéia, à cidade de Davi, chamada Belém, por ser ele da casa e família de Davi". Não foi uma decisão de Deus. Foi uma decisão do homem visando interesses humanos e injustos. Mas Deus usou esta situação difícil e angustiante para realizar sua santa vontade. As profecias diziam que Jesus deveria nascer em Belém (Mq 5.2). Talvez neste final do ano você esteja avaliando sua vida assim: "Tudo deu errado e a vontade do homem prevaleceu sobre a vontade de Deus!" Mas se você confiar no Senhor e descansar, Ele, um dia, ou mesmo na eternidade, te mostrará que tudo na vida tem um propósito para aqueles que amam o Senhor e que são chamados segundo sua vontade (Rm 8.28). Natal significa que a Vontade de Deus prevaleceu.

II. O Nascimento do Senhor
            Quando José e Maria chegam em Belém Jesus nasce. Maria deu a luz a seu filho primogênito (primogênito significa primeiro, pois ela teve outros filhos com José. Leia  Mateus 12:46, 13:55, 56, Lucas 8:19, Marcos 3:31, João 7:1-10 e   Atos 1:14). Maria (7) "enfaixou-o e o deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria".    Ele foi deitado numa manjedoura (coxo para os animais se alimentar), pois não havia lugar para Ele na hospedaria. Em Lv 25.35 e Ex 22.21, o Senhor ordena o cuidado e a fraternidade com o peregrino e estrangeiro. Mas o povo não cumpria a lei e Jesus teve que nascer num quarto de uma casa pobre onde os animais eram guardados, ou numa gruta onde os animais dormiam a noite. Hoje Jesus deseja nascer no coração das pessoas. O natal do mundo tem lugar para muitos pecados e tradições, mas poucos se preocupam em adorar o Senhor e aceitá-lo como Senhor e Salvador.

III. O Anúncio aos Pastores
            Jesus nasceu. As profecias foram cumpridas. A esperança dos profetas foram concretizadas. Ele nasceu para salvar homens e mulheres.      Mas este santo anuncio foi feito aos pobres e rejeitados pastores de Belém. Deus prioriza o pobre e excluído na noite de Natal. O texto diz que (8) "Havia, naquela mesma região, pastores que viviam nos campos e guardavam o seu rebanho durante as vigílias da noite". Foi neste cenário que a (9) "a glória do Senhor brilhou". Como ficaram possuídos de medo o anjo lhe disse: (10) "Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: (11)   é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor". A boa notícia era de alegria e para todo o povo sem excluir pobres e ricos. O anjo usa três palavras para falar de Jesus como boas-novas (boas notícias): Ele é Salvador, é o Cristo e é o Senhor. O Sinal foi a criança deitada numa manjedoura. Muitas crianças nasceram naquela noite, mas apenas uma foi colocada em uma manjedoura.
Mas porque uma manjedoura? Porque era um elemento de identificação com os pastores (12). Os pastores tinham manjedouras nos campos também. Deus usa um simples objeto para identificar ao mundo a vontade de salvar e incluir os rejeitados.
            Os pastores talvez se perguntaram: Porque nós fomos escolhidos para receber esta maravilhosa notícia? Uma multidão da milícia celestial, com o anjo mensageiro, dão a resposta aos pastores louvando a Deus e dizendo (14): "Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem". A paz é entre os homens a quem Deus quer bem. Ou seja, os pastores que eram rejeitados pelos homens, foram escolhidos por Deus (Mt 22.14). Tivemos a graça de receber o Evangelho e crer naquele que o Senhor enviou.
            O Natal é mais um sinal de Deus que nossa salvação é a prioridade.

Conclusão:
            Hoje o Evangelho de Natal nos ensinou muitas coisas maravilhosas. Assim como José e Maria, precisamos confiar e descansar no Senhor. A sua vontade sempre irá prevalecer. Belém não foi uma circunstância provocada pelo homem, mas uma santa providência de Deus para cumprir sua Palavra. Precisamos deixar Jesus nascer em nossa vida. Nossa Natal não pode ser cercado apenas de tradições e luzes. Precisa ser um lugar de adoração ao Senhor Jesus. Deus nos ajudou e nos salvou. Hoje temos a paz de Deus. Podemos cantar com os anjos: "Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens a quem ele quer bem!".  Realmente tivemos a graça de receber o Evangelho e crer no Senhor que nasceu no Natal.
            Isso é sem dúvida um Feliz Natal!
           
Oração Final
Deus Onipotente, que nos deste teu unigênito Filho para que tomasse sobre si a nossa natureza, e nascesse neste tempo de uma Virgem; concede que nós, renascidos e feitos teus filhos por adoção e graça, sejamos de dia em dia renovados por teu Santo Espírito; mediante nosso Senhor Jesus Cristo, que vive e reina contigo e com o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.





terça-feira, 11 de outubro de 2016

Os Puritanos e as Liturgias

Os Puritanos e as Liturgias
Rev. Edson Cortasio Sardinha





Algumas igrejas olham para as nossas tradições litúrgicas e acham estranhas. Alguns chegam a dizer que somos “católicos melhorados”. Muitos, por falta de conhecimento, desprezam nossa liturgias e ritos, uso de óleo para unção, vestes clericais, genuflexão no altar e imposição das mãos. 
O termo “puritano” no sentido pejorativo atual significa rigidez, moralismo, intolerância. Contudo, foi um movimento muito influente na Inglaterra e a principal tradição religiosa na história dos Estados Unidos.
Este movimento em prol da reforma da Igreja da Inglaterra teve início no reinado de Elizabete I (1558) e continuou por mais de um século como uma grande força religiosa na Inglaterra e também nos Estados Unidos.
Foi um movimento religioso protestante dos séculos 16 e 17 que buscou “purificar” a Igreja da Inglaterra de toda aparência com o catolicismo. O movimento foi calvinista quanto à teologia e presbiteriano ou congregacional quanto ao governo eclesiástico.
Sabemos que o protestantismo inglês sofreu a influência de Lutero e especialmente da teologia reformada continental, a Reforma Suíça de Zurique (Zuínglio, Bullinger) e Genebra (Calvino, Beza).
Henrique VIII (1509-1547) usou a reforma protestante na Inglaterra e forjou a criação de uma igreja católica nacional inglesa. Em 1539, impôs os Seis Artigos, com severas punições para os transgressores (“o açoite sangrento de seis cordas”).
Em sua doutrina, a Igreja nacional católica inglesa incluía a transubstanciação, a comunhão em uma só espécie, o celibato clerical, votos de castidade para leigos, missas particulares, confissão auricular, etc. Seria uma verdadeira igreja católica nacional.
Muitos protestantes se opuseram ao cerimonialismo e tiveram que fugir da Inglaterra; entre eles, Miles Coverdale e John Hooper.
Na época de Eduardo VI (1547-1553) a influência dos partidários de uma reforma profunda da igreja inglesa se tornou mais forte. John Hooper dispôs-se a aceitar um bispado que lhe foi oferecido, mas não a ser investido no ofício do modo prescrito, com o uso das vestes litúrgicas. Acabou sendo lançado na prisão por algum tempo. Foi o primeiro a expor claramente o argumento acerca das vestes. Para ele as vestes clericais eram resquícios do catolicismo. Começa a surgir uma nítida distinção entre anglicanismo e puritanismo.
Com Maria I (1553-1558), a sanguinária, tudo piorou. Ela tentou restaurar a Igreja Católica na Inglaterra e perseguiu os líderes protestantes. Muitos foram executados – Hugh Latimer (†1555), Nicholas Ridley (†1555) e Thomas Cranmer (†1556) – mártires marianos. Outros fugiram para o continente (Genebra, Zurique, Frankfurt), entre eles John Knox e William Whittingham, o principal responsável pela Bíblia de Genebra. Nesse período surgiram em Londres as primeiras igrejas independentes.
Com Elizabete I (1558-1603), apesar favorável aos protestantes, os puritanos se decepcionaram amargamente. A rainha continuou a controlar a igreja, manteve os bispos e as cerimônias litúrgicas. Ela que criou a Igreja Anglicana como a conhecemos hoje.
Os puritanos passaram a ter este nome a partir da “Controvérsia das Vestimentas” (1563-1567). Foi um protesto contra vestimentas clericais (eles propunham o uso de togas genebrinas), cerimônias como ajoelhar-se à Ceia do Senhor, dias santos e sinal da cruz no batismo.
Carlos I (1625-1649) manteve a política de repressão contra os puritanos, o que levou um grupo a ir para Massachusetts em 1630. No final do seu reinado, entrou em guerra contra os presbiterianos escoceses e contra os puritanos ingleses. Estes eram maioria no Parlamento e convocaram a Assembléia de Westminster (1643-49), que elaborou os famosos e influentes documentos da fé reformada.
Carlos II (1660-1685) - expulsou cerca de 2000 ministros puritanos da Igreja da Inglaterra. A Grande Expulsão (1662) marcou o fim do puritanismo anglicano. Embora perseguidos, sobreviveram como dissidentes (“dissenters”) fora da igreja estatal e eventualmente criaram igrejas batistas, congregacionais e presbiterianas.
O puritanismo americano foi muito dinâmico e influente por pouco mais de um século, desde os primórdios na Nova Inglaterra (1620) até o Grande Despertamento (1740). Alguns nomes notáveis dessa tradição foram John Cotton, William Bradford, John Winthrop, John Eliot, Thomas Hooker, Cotton Mather e Jonathan Edwards. Herdeiros recentes da tradição puritana: Charles H. Spurgeon, D. M. Lloyd-Jones, J. I. Packer, James M. Boice e outros.
Eles entendiam que a Igreja Inglesa devia adotar como modelo as igrejas reformadas do continente. O puritanismo influenciou a tradição reformada no culto, governo eclesiástico, teologia, ética e espiritualidade.
O sentido original do termo “puritano” apontava para a purificação da igreja, na medida em que os puritanos queriam descartar os elementos arquitetônicos, litúrgicos e cerimoniais que consideravam conflitantes com a simplicidade bíblica. Por exemplo, eles objetavam contra o sinal da cruz no batismo e a genuflexão para receber a Santa Ceia (Ceia mesa a mesa no altar).
Ao invés de paramentos elaborados (sobrepeliz), eles preferiam uma toga preta que simbolizava o caráter do ministro como um expositor culto da Bíblia.
Sofrendo oposição dos bispos e estando comprometidos com uma eclesiologia que dava ênfase à igreja como uma comunidade pactuada, muitos puritanos rejeitaram o episcopado.
Por causa desta influência histórica puritana, muitas igrejas da atualidade não aceitam nosso Calendário Cristão, vestes litúrgicas, unção com óleo e o ritual. 
A OESI é carismática, evangelical e litúrgica-sacramental. 



Fonte pesquisada: OS PURITANOS: SUA ORIGEM E SUA HISTÓRIA. Alderi Souza de Matos. In: http://www.mackenzie.br.